quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sobre liberdade e democracia.

Achei um achado no Youtube. Na verdade, acharam para mim. Meu professor de geografia recomendou esta pequena película. O 11 de setembro chileno. Achei estranho, a princípio: era um 11 de setembro que eu não conhecia; não era o 11 de setembro dos EUA, que todo ano faz aniversário, que os documentários do Globo News, do GNT e do Discovery não nos deixam esquecer. Era um 11 de setembro que a gente estuda uma vez na história e depois esquece. Senti até um pouco de vergonha em pensar que vi (várias vezes, confesso) dois bebês conversando no Youtube, mas este vídeo, nunca. Ainda bem que existem os professores de geografia.
O curta é lindo. Seria ainda mais lindo, se não fosse verdade. Acho que está na hora de parar com essa história toda de "terror" e de perseguição; de mocinho e de vilão: Saddam foi enforcado; Osama executado. E o Pinochet? Morreu de velho...


sexta-feira, 29 de abril de 2011

R-r-ro-oyal M-mo-ovie.

Realmente, me impressiona a quantidade de folhas de jornais e os canais de televisão falando sobre o casamento da família real. O que eu acho? Estou cagando para o assunto. E o que mais me irrita é o fato de eu estar cagando para isso e ainda estar ciente de todos os "acontecimentos" reais, já que praticamente é só o que transmitem na TV e comentam na rua. E parece que o mundo pára, que as notícias não acontecem mais, que não tem mais fome no mundo, que o Egito vive em paz, que os tutsis andam de mãos dadas com os hutus, que a gasolina não vai subir... Eu tento fugir, mas nem no twitter eu tenho paz. E já fizeram um filme com a história do romance (!), e parece que bem meia-boca, pois foi duramente criticado. Bem, como o filme ainda não foi lançado, e, mesmo quando for, eu não irei ver, não terei certeza quanto a qualidade. Mas, considerando a minha má vontade, desta vez concordarei com a crítica sem ver o romance. Então, vamos falar sobre o que já foi lançado e visto: "O Discurso do Rei". Tudo para ser um filme odiável, mas, incrivelmente, não o é. Um dos casos em que o elenco, definitivamente, salva o jogo.
Nunca entendi porque uma família é real e a outra não. Gostaria de ver o DNA de um deles para saber se é azul, ou coisa do tipo. Acho que ter uma família real fazia algum sentido até o séc. XVII, mas hoje, acho que é pensar pequeno, que é insistir em manter vivo algo que poderia estar melhor se estivesse morto (como o programa da Xuxa, sabe?). O Discurso do Rei tenta encobrir um pouco essa realidade e faz com que a gente sinta um pouquinho de solidariedade com o rei. George, pai da atual rainha, era gago. Mas poxa, o cara reinava, não governava e vivia (muito bem) do dinheiro público. Assim, até eu topava ser gaga! Então, vem a história triste: a cada tentativa de discurso, ele se engasgava todo, e sofria chacotas de todos, até do irmão. Uma espécie de royal bullying. O problema é que fora essa pequena rejeição familiar do rei, a história, apesar de verídica, não traz um drama envolvente. Os personagens em si não são muito atraentes, exceto pelo terapeuta, Lionel Logue, que trata de George. Lionel, vivido por Geoffrey Rush, um dos meu atores prediletos, trata George não como um rei, mas como alguém normal, não dizendo que um rei seja anormal. Aliás, ele o chama pelo apelido, Berty, induzindo o público a vê-lo também como um amigo e não como um ser supostamente superior. O método, na época, era pouco convencional, causando uma certa resistência ao paciente. Porém havia sido o único a apresentar resultados, o que transformou Berty e Lionel em amigos de fato. Entre uma sessão e outra, são apresentados, além das técnicas de cura para a gagueira, um pouco dos relatos sobre a vida do rei. Ele sempre teve problemas com o irmão. Desde a infância. Quando ele era apenas um principezinho, a royal nanny, por gostar mais do irmão, deixava Berty sem comida. Quase chorei. Juro. E são pequenos relatos assim que vão nos amolecendo, nos aproximando do rei, que agora já se parece mais conosco.
Contudo, o ponto de destaque do filme é o elenco. Escolhido a dedo! De verdade, de verdadinha, quem tem carisma não é o rei, e sim o Colin Firth, que está impressionante!Nunca duvidei das qualidades do Colin como ator, mas como o rei gago, ele consegue se superar e conquistar a simpatia de todos. Quem está muito bem, também, é a senhora Tim Burton, Helena Bonham Carter, como a rainha, não a Vermelha, mas a Elizabeth. Geoffrey Rush, como já mencionado, está ótimo tanto quanto ator, como personagem. Vale também dar um destaque especial a Timothy Spall, que mesmo aparecendo pouco, rouba as cenas ao representar Winston Churchill, com língua presa e tudo. E, em harmonia com o elenco magistral, a direção e o cenário perfeito em cada detalhe também encantam e complementam o visual.
Agora, uma pequena reflexão fajuta: mesmo, aparentemente, tento tudo, Berty não era completamente feliz e satisfeito; e, mesmo sendo rei, não tinha autoestima. Por isso, para quem perde o tempo, mas não perde os detalhes do royal wedding, saiba que a humanidade toda tem problemas. Se não for dinheiro, vai ser afetivo, se não for afetivo, vai ser outra coisa qualquer. Não adianta ter inveja do anel ou do vestido da noiva real, porque ela deve ser feliz tanto quanto a gente. Ter tudo pode não ser tudo. Pensemos nisso.

domingo, 24 de abril de 2011

Nota de fim de semana em PoA.

Começou ontem o festival CineEsquemaNovo em Porto Alegre. O evento exibe e discute os diferentes e novos conceitos de arte visual brasileira. O festival CEN de 2011 terá mostras na Usina do Gasômetro, Cine Bancários e Santander Cultural. Para quem quer entender e conhecer um pouco mais sobre as produções, uma boa dica é acessar o Blog do CEN. Lá, tem muitos vídeos e entrevistas bacanas sobre quem já pintou ou vai pintar no festival. A programação completa se encontra no site CineEsquemaNovo. Para quem tem as tardes livres, gosta de novidades no cinema alternativo e é curioso, vale a pena dar uma passadinha em alguma das mostras. O máximo que vai acontecer, é a gente sair na metade do filme.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Um dia de Clarisse.

Está aí: preciso parar de me preocupar com o que dizem os outros.
Dia desses vi "NY, Eu Te Amo". Repete o mesmo formato de "Paris, Eu Te Amo", só que em homenagem a cidade de Nova York. O que eu penso de um vale para os dois: alguns curtas muito legais, outros nem tanto e uns bem ruinzinhos mesmo. Tentei selecionar alguns, os que mais gostei, para escrever sobre, mas acabei rasgando o papel (sim, as árvores que me desculpem, mas eu ainda faço o rascunho no papel); comecei a pensar que algum curta de que eu gostei um outro alguém não gostou e vice-versa. E então, não consegui pensar em mais nada...
Há algum tempo atrás, joguei tudo pro alto e decidi que iria ser cineasta. O que eu mais queria era dirigir um filme: colocar as minhas idéias nele, expor a minha visão de mundo. Acabei desistindo da idéia. Não tinha câmera, nem atores, nem produtores, nem dinheiro, nem nada na verdade. Só o que eu tinha era papel e lápis para escrever um roteiro. Sei que só com um papel, lápis e boas idéias se pode ir muito longe e conseguir tudo o que falta para realizar um projeto. E eu sabia como era a história e como eu queria que tudo fosse feito. Poderia ter começado por aí, conversado com mais pessoas até aprender o que eu tinha de fazer, já que eu não sabia, e não sei, nada sobre como fazer filmes. Foi então que comecei a pensar que a minha idéia não era assim tão boa, que era meia-boca e, até, que era uma idéia ruim. E mais ainda, temi, ou pior, tive certeza de que todos achariam que era uma péssima idéia, que eu não tinha vocação para a coisa, e nunca comentei nada com ninguém. Abandonei o navio bem antes de embarcar. Resolvi que essa não era uma carreira sólida e iria trabalhar em outra área. E fui. Até hoje sinto, não sei se arrependimento ou frustração. Mais ainda, me questiono: como eu sabia que não gostariam da minha idéia se ninguém a viu? O que eu tive, na realidade, foi medo de ouvir: enquanto a suposta negação estava só na minha cabeça, eu me conformava; mas ouvir dos outros dói mais, ainda que eu concorde. E no fim, nunca fiquei sabendo se o que eu tive foi falta de talento ou de coragem.
Ao final, o filme em si, NY, Eu Te Amo, me interessava cada menos. Depois de vê-lo, aconteceu uma dessas epifanias de Clarisse tão profunda, que já nem me importava se era um filme bom ou ruim. Acho que a vida da gente é assim mesmo: pequenos episódios, curtas, que algumas pessoas julgaram bons; outras, ruins. E, ainda por cima, me lembrei do Woody Allen; sempre digo que ele não é um gênio. Só que que milhares de pessoas acham que ele é. Ou seja, não importa o quanto eu diga que ele não é um gênio, ele não o deixa de ser. Ao menos não para esses milhares. E é com isso que eu preciso me acostumar. Algumas pessoas gostam de mim, e outras simplesmente não gostam. Alguns vão gostar das minhas idéias, outros acharão que é lixo e algum outro talvez as compre. Muita gente vai de encontro às minhas opiniões, e isso não é motivo para não tê-las. Nem empecilho para não dizê-las. Acho que a gente deve ser que nem ambrosia: alguns amam, outros odeiam, mas ela está sempre lá, presente na sobremesa de todos os buffets.
Quem sabe ainda não dá tempo de fazer um filme? O meu. Acho que vou parar de me preocupar tanto com o que os outros pensam. Da próxima vez que tiver uma idéia, vou mostrá-la para o maior número de pessoas que conseguir. Se dez não gostarem, vou continuar tentando até achar cem que gostem. E se cem não gostarem...daí eu troco de idéia.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Para não dizer que eu não falei de flores.

Este ano foi mesmo do avesso. Liberdade foi algo que perdeu o significamento. O enclausuramento se tornou um modo de vida. O tempo passou a ser contado em exercícios de matemática e química; a diversão, em resumos de história e geografia. O shopping virou minha casa, e minha casa virou um dormitório. Não vi o Paul cantar. Foi um ano de sacrifícios e abdicações. E a recompensa?, está mais lá adiante. Quem é futuro bixo, sabe do que estou falando.
Meus queridos que me acompanham no Cinepocket, 2010 foi o ano das escolhas. E daquelas drásticas: sem meio-termo. Não pude acompanhar os blogs das minhas queridas amigas que amo tanto! Não pude nem mesmo atualizar o meu próprio. Precisei trocar os filmes e a internet pelos livros. Estudar foi a palavra do ano, e eu não teria suportado uma semana se não fosse com uma little help from my friends. Quanto a isso, não posso reclamar: neste ano, o destino só colocou pessoas boas no meu caminho. Foram poucas, porém verdadeiras. Nada mais justo do que fechar 2010 agradecendo a todos:
aos meus pais e ao meui rmão: a melhor família que o universo poderia me dar. À Jenny e ao pai dela, pessoas de enorme coração!, mais o Elton e a Ferdi, que me apresentaram a gigante São Paulo. Ao Rafa, pelos chimas feitos na redenção (que este ano foram poucos) e pelos e-mails trocados de amizade. À Lupe que trabalhou bem pra me deixar com um sorriso bonito! À Nati e à Stefania: exemplos de obstinação. À minha querida Bruna, que ficou do meu lado (literalmente) 2010 inteiro! Rimos um bocado, não? Ao Marcus, à Mari, à Maitê e à Nati: amigos que gostaria de ter conhecido melhor! Ao Márcio Estrela "que veio do céu", professor e amigo. Ao Alexei que nunca me negou uma explicação entre uma aula e outra. Ao Edir e sua admirável fé nas pessoas. Ao segunrança do shopping que nunca falhou com o seu "bom dia, amiga". Tem também aqueles que, por causa da minha rotina maluca, nem pude ver direito (alguns nem vi), mas que a amizade continuou a mesma: a Sara, minha amiga borboleta; o Charles, meu amigo-irmão que eu morro de saudade; a Carina, minha dinda amada; ao Arthur, que faz anos que não o vejo, talvez por culpa minha, e como me arrependo; a Karol e suas festas de última hora, a Karyne, a Camila e a Thássia, minhas amigas flores que eu sempre guardarei na memória! A TODOS VOCÊS, MUITO OBRIGADA! Obrigada por terem ajudado a passar bem esse ano difícil. E se hoje sou o que sou, devo isso a vocês.
A todos os meus amigos, feliz Ano Novo! Que 2011 se inicie a realização de todos os nossos sonhos! E para os bixos, o nosso ano novo começa só depois do dia 12: vamos brindar com a faixa!!!
E feliz Ano Novo pra você também!

domingo, 8 de agosto de 2010

Você é o que você usa.





Depois de uma semana de trabalho árduo, porém muito compensador, aqui estão elas: minhas filhotas novas! Essas são as novas criações de ecobags feitas com tecido 100% algodão e todinhas pintadas a mão! O valor de cada uma é 20 reais, e o e-mail (ou msn) de contato é o mesmo: vanesselumiere@gmail.com É claro que se você quiser uma estampa em outro modelo ou em outra cor, fique a vontade de montar a sua própria cine-eco.
Pessoal, peço desculpa pelo transtorno em estar fazendo os pedidos por e-mail ou msn; pois a fábrica ainda é baby. A idéia é fazer logo, espero, uma lojinha on-line, onde poderá se comprar direto pelo blog.
Espero que tenham gostado das novas invenções e aceito sugestões para novas estampas. Fiquem à vontade.
P.S. E já tem uma bolsa do Carlitos quentinha saindo do forno...aguardem...


sábado, 24 de julho de 2010

Para quem acredita em milagres. E para quem não acredita também.

Um dos pequenos filmes mais bem comentado de vários festivais de cinema do ano passado, El Baño Del Papa, já inicia com uma frase de advertência: "uma história real, que só poderia ter ocorrido por uma baita falta de sorte". É a maior prova que de bem-intencionados o inferno está cheio; ainda que seja o papa...
O Banheiro do Papa é a tragicomédia, muito mais tragi do que qualquer outra coisa, que nos leva a cidade de Melo, no Uruguai, no ano de 1988, com a chegada de João Paulo II. Beto, a nossa personagem central, é um pequeno contrabandista, que parte todos os dias com sua bicicleta e mais alguns companheiros para cruzar as fronteiras e buscar os pedidos dos "clientes", donos das vendinhas. A vinda do papa à cidadezinha causa um rebuliço em todos, que acreditam que irão receber mais de 40 mil brasileiros. Movidos pela fé e pela necessidade de obter algum lucro da situação, a população prepara-se para receber os supostos visitantes vizinhos; decidem, então, fazer o máximo que podem de comida para vender-lhes. Menos Beto. Ora, se todos esses brasileiros comerem aquele mundo de comida, uma hora terão de pô-la para fora e abrir espaço para mais comida. Bem, esta foi a idéia do Beto: construir um banheiro. Adoro essas pequenas hitórias reais, com um toque de ficção, e com um título inusitado! O Banheiro do papa fala mais do um banheiro: fala sobre um fato na história esquecido, ou talvez que nunca tenha sido lembrado, discutindo (e desafiando) fé, capitalismo, esperança, injustiça social. E o melhor: um fato verdadeiro. Aliás, perdoem-me: o pior; melhor mesmo, seria se a história não fosse real. E nem precisou ir muito longe; aconteceu logo ali, na fronteira.
Além dos atores que fazem o Beto, sua esposa e filha, que são profissionais, ainda existem alguns atores "de mentirinha": pessoas comuns que viveram na época do ocorrido. Mas olha, sinceridade, eu nem percebi...eu vi foi nos créditos (sim, eu sou daquelas pessoas que vêem as entrevistas de crédito dos filmes). Além disso, algumas das cenas, que tentam mostrar o drama das personagens de forma direta e crua, beiram um pouco à tosquice, dando um toque de documentário à filmagem. O que para uns era jutamente o toque simples e perfeito, para outros, pareceu amadorismo mal acabado: uma questão de gosto.
Acredito que não preciso dizer que construir o banheiro não foi algo fácil. Beto praticamente vendeu a alma para conseguir dinheiro e se indispôs com sua família. E ainda no último dia, faltava um mero detalhe: o vaso sanitário. Só que o nosso protagonista, ainda que uruguaio, não desiste nunca e vai buscar o vaso com a sua bicicleta no último minuto. E no caminho de volta, ele precisa deixar sua companheira de duas rodas e voltar a pé...sem problemas! O nosso obstinado amigo, com seu rústico otimismo, passa a carregar o vaso nas costas mesmo. E o papa finalmente aparece. Mulher e filha esperam ansiosas: um olho na transmisão papal e o outro no banheiro inacabado. E eu, quase falando com a TV: "corre, Beto, pelo amor de Deus! Leva logo essa maldita patente!" E sim, ele consegue! Viva! A não ser um pequeno engano: dos 40 mil visitantes esperados, vieram uns significativos zeros a menos, não chegando a mil pessoas. E assim como o papa veio, ele foi embora, decepcionando os que tinham fé e revoltando os que não a tinham. Montanhas de comida, pão, lingüiça, pastel, todos intocados. E, ao lado, pessoas com um sorriso de Mona Lisa, sem saber ao certo se riem ou se choram, endividadas até a próxima vida, sem querer acreditar naquilo que não aconteceu. E o banheiro pronto, é claro. Uma das cenas mais tristes que eu já vi na vida, sem exagero. Tanto, que devo ter ficado uma ou duas horas pensando, deitada, sem conseguir dormir e, ao mesmo tempo, sem saber direito o que pensar, lembrando daqueles olhares desolados.
O Banheiro do Papa pode não ser o filme mais encatador do mundo, o que de fato não o é. Mas vale muitíssimo a pena vê-lo e perder alguns instantes de sono com a pequena cidade de Melo: esquecida por Deus e lembrada, muito infelizmente, pelo Vaticano.