domingo, 21 de fevereiro de 2010

Um domingo desses qualquer eu volto.

Domingo, dia 31 de janeiro de 2010.
Recapitulando o dia anterior: eu me levantei às 4h da madrugada, fui para o aeoporto ainda de noite, passei o dia andando de metrô e passeando pelo centro de São Paulo com uma mala rosa de 4k e fui para São Bernardo à tardinha de ônibus. Estava um bocado exausta... Mas sempre com um sorriso no rosto. Ah, e naquele sábado, não choveu em Sampa! Ao menos não onde eu andei. Fiquei feliz em "trazer" às pessoas um sorriso de alívio depois de tantos dias chuvosos. Acho que eu dou sorte.
Bem, depois de uma boa noite de sono, fomos no meio da manhã para SP. Fomos de metrô até a Paulista e descemos a Brigadeiro para ir ao nosso primeiro destino do dia: o Ibirapuera. Logo na entrada do parque está o Monumento às Bandeiras, uma escultura gigante, planejada pelo Victor Brecheret, representando os bandeirantes. O Victor esculpiu uma galera puxando um barco. Ou fingindo que está puxando, sei lá. Mas é uma obra bem bonita, realmente. Só não tirei nenhuma foto porque ela estava coberta de gente. Sim, isso mesmo...as pessoas gostam de "trepar" o monumento. A maioria delas nem deve saber direito de quem é a obra, nem o que ela quer dizer, mas poxa, é tão divertido subir em cima dela! Então, pensei que fosse ficar uma coisa meio bagaceira e não tirei foto. Ai, ai...pessoas. O que fazer com elas? Mesmo assim, o lugar é lindo! É no Ibirapura também que fica o planetário, o museu de arte moderna, vários pavilhões, um auditório, o Obelisco de SP, lagos...ou seja, o negócio é imenso. E como eu tinha pouco tempo, todos os meus passeios eram relâmpagos. Não deu para ver tudo. Até porque, devido as chuvas, o chão estava um lamaçal, quase um mangue. Não tinha como caminhar confortavelmente. Mas deu tempo de ir visitar a exposição de cultura afro. Muito tri! O museu trazia de tudo um pouco: desde máscaras de antigas tribos africanas, passando por roupas de candomblé até camisetas e bonequinhos do Obama. Mas muito tri mesmo! E o lago (um dos)? Muito lindo! (dispensa dizer que o lago é grande...) Com cisnes! Quer dizer, eu acho que são cisnes; não entendo de aves, porém como achei aquelas bem parecidas com os pedalinhos que temos aqui na Redenção, supus que eram cisnes. Além das aves, o lago também contém peixes. Muuuitos peixes! E eles são tri malandros: ficam todos agrupados embaixo da ponte esperando as migalhas que as pessoas jogam. Senti um pingo no meu nariz, e quando olhamos para cima, vimos formar algumas nuvens bem pretas no céu. Como estávamos no meio barro, decidimos voltar para a Paulista antes que viesse uma chuva forte. Mas qualquer findi desses eu vou lá estender uma canga e tomar um chimarrão.
A Paulista é uma avenida não muito longa, porém bem larga. Formada somente por prédio altos, muito altos e altíssimos. Aqui em Porto também existem prédios altos assim, mas não um do ladinho do outro. Dica: se você sofre de vertigem, não ande pela Paulista. Sem falar nas dezenas de antenas, carinhosamente apelidadas de torres eiffel. Fiquei muito impressionada com a Paulista. E muito encantada também! Achei-a curiosamente bonita! Ah, vocês sabiam que existem prédios residenciais na Paulista? Que sonho morar lá, né? Um sonho bem caro, imagino...
Fui conhecer o SESC da Paulista. Achei bem legal, super colorido e tudo o mais. Dei uma olhada numa exposição bem bacana (e de grátis) sobre viagens, ou melhor, velhinhos viajantes. Adorei o projeto e até me emocionei um pouco. Mais ainda depois que vi umas fotos de uns gaúchos tomando chimarrão em Gramado! Mas o melhor do SESC naquele momento foi a lanchonete que fica no terraço. O lugar é muito aconchegante, a vista é maravilhosa e o sorvete de iogurte com calda de frutas vermelhas por apenas R$2,50 é divino! Mal posso esperar para tomar outro qualquer dia desses. Quando saímos de lá, já estava chuviscando. Nada assustador.
Ainda passeando pela Paulista, me pecho com uma vaca amarela! Sim! Uma vaca! E amarela ainda por cima! Também tinha uma de tênis e uma outra verde tomando um Ades. Não, não fumei nada. É que estava (esta, eu acho) ocorrendo a Cow Parade, que nada mais é do que vaquinhas customizadas por artistas plásticos espalhadas pelas ruas. Vaquinhas, sim! Mas com muito estilo! Elas transmitem, de fato, uma símpatia muito singular. Não há como descrever. Tem que olhar para a cara delas para sentir. Amava aquela avenida cada vez mais.
Fomos também numa feira que ocorre todos os domingos com quadros, coisas de cinema, bijus, fuxicos, camisetas de fundo de quintal. Até um casal tomando chimarrão tinha. Eu fiquei louca! Queria comprar tudo! Mas qualquer dia desses eu vou lá e encho uma mala de excentricidades legais.
E se você quer descansar um pouco da agitação e da fumaça, é só ir no Parque do Trianon: um recanto na Paulista, ainda com árvores da mata atlântica provavelmente. Uma pena que estava nublado. Mas vou lá qualquer dia bonito desses admirar os raios de sol entre os eucalíptos.
E como não podia faltar, fui no shopping tomar um café no Starbucks, que só existe em SP, apesar de ter sido "inventado" por uma carioca, que segundo a história trágica que a Jenny me contou até já morreu. Pedi um frapuccino (isso?) gelado. Bem bom! Um dia desses, peço um café com um muffin gigante. Já à tardinha, fomos na Augusta comer um pedaço de pizza. A Jenny aproveitou para comprar um dvd pirata de um documentário que ela procurava. Vocês precisam ver o que é a arte do dvd pirata deles. Eles mesmos gravam em casa, vem com capinha de plástico, impressão no dvd e o escambau a quatro. Custa R$10,00 e tem títulos de filmes super cults e que nem eu ouvi falar. Por aqui, eu só acho aqueles que vem num saquinho, 5 por R$10,00, um xerox da capa e títulos super interessantes como Crepúsculo, Piratas do Caribe, Austrália. Quero trazer essa tecnologia para Porto Alegre também!
Finalmente, fomos para casa. Na estação do metrô tinha uma vaquinha em forma de joaninha. Cara, não sei o que há com essas vacas. É incrível como, só de olhar para elas, a gente se sente um ser humano mais feliz! E pensar que tem gente que come elas...
Lembra do chuvisco que pegamos em Sampa? Pois é...em SBC, caiu um toró. Mais um indício de que onde eu estou, não chove, rá! Antes de dormir, vimos o filme pirata: Nós que aqui estamos por vós esperamos, um documentário brasileiro feito em casa. Muito bom! Merece até um texto a parte. E enfim, fomos dormir.


Os peixinhos malandros do Ibira. Gente, será que aquele peixe preto ali é normal?


Amei essa foto! A Paulista vista do SESC com uma moldura de plantinhas acidentalmente criada pela fotógrafa aqui.


Duas pessoas que não conseguem tirar um bom autorretrato =P


Eu e a vaquinha Sampa Sem Parar, do artista Morandini. Quero fazer a campanha "vamos trazer a Cow Parade para PoA!"
Essas sapatilhas vermelhas já viram cada coisa na vidinha ordinária delas...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sim, eu converso com o meu cérebro.

Pessoal, gostaria de ter continuado a narração da viagem no meio dessa semana. Mas cara, realmente, o calor do baralho que anda fazendo em PoA não deixa a gente pensar direito... E como hoje está super fresco, só 31°C, até estou mais animada para continuar.
Lá pelas 8h30min, o avião pousava no aeroporto de Guarulhos. Você, portoalegrense, que viveu a vida toda na sua cidade está precisando rever o seu conceito de grande. Já haviam me falado que o Cumbica era grande... Mas poxa, ninguém me avisou que ele era realmente muito grande! Depois que o avião finalmente pousou, ele ficou um tempo taxiando a pista, só para depois a gente entrar em um ônibus que nos levaria para o aeroporto. Assim que desembarquei, ainda fiquei um tempo refletindo sobre onde era a saída. Ainda bem que só levei bagagem de mão. Depois de um minuto, eu acho, consegui sair dali (yes!). E o problema de viajar de avião é que tudo acontece tão rápido, que o cérebro não se acostuma com a idéia de que não estamos mais na nossa cidade. Enquanto esperava minha amiga, fiquei tentando convencer meu cérebro de que eu não estava mais em PoA. Ok, cerébro, nós não estamos mais em PoA, estamos em Guarulhos nos dirigindo para SP, que é uma cidade bem maior do que a que você está acostumado a pensar. Então nada de pânico, haja com naturalidade, ok? Não sei quanto ao cérebro das outras pessoas, mas o meu é meio burro às vezes. E enquanto esperava a Jenny e conversava com meu cérebro, já fui reparando no sotaque do pessoal. É claro que todo mundo já viu um paulista com sotaque falar. Só que estar na "terra" deles, ouvindo eles falarem, é uma sensação diferente. Eles falavam diferente para mim, e eu falava diferente para eles. Quase um dialeto dentro da língua portuguesa.
Finalmente encontro com a Jenny e com o Elton! Que alegria abraçá-la pela primeira vez! E foi super fácil se achar lá, mesmo sem nunca nos termos visto e no meio de um monte de gente, pois eu estava com a minha mala rosa pink! Mala rosa fosforescente 1, malas pretas e regulares 0.
Fomos de ônibus até Sampa. Chegando lá, a primeira coisa que visitamos foi o Museu da Língua Portuguesa. Nossa, cara! Muito lindo! Muito divertido! Cheguei bem a tempo de ver um "cineminha" que eles apresentam por lá. É um vídeo falando sobre a origem da língua, e, logo depois, tem uma sessão com declamação de poesia. Ser recepcionada pela cidade de SP com poesia! Lindo²! E o museu todo é bacana, todo interativo. E o elevador toca Arnaldo Antunes. Momento eu não gostaria de trabalhar o dia todo operando o elevador do museu. Em seguida, fomos à Pinacoteca, que é bem na frente. Ainda bem que eu tinha um guia turístico artista plástico! Além de carregar minha mala, ele me expicava sobre a técnica de xilogravura. Chiquérrima eu, hein?!
À tarde, fomos passear pelo centro. Fui ao mercadão, que segundo o que a minha amiga explicou, era para ser um palácio de um príncipe árabe. Bem, por fora, bem que poderia ser um palácio. Mas só por fora mesmo. Por dentro ele é...bom, ele é o mercadão. E durante o passeio, nós três revezávamos a mala. E eu mantinha uma discução severa com o meu cérebro.
-Tá vendo...é uma cidade normal.
-Claro que não, cérebro; olha direito!
-Vendedores de rua, cds piratas, pombos...o que há de diferente?
-Tem que olhar nos detalhes. É claro que em PoA tem mercado público, camelôs, construções antigas, pombos. Mas repara bem: aqui é tudo enorme! Tanto que o mercado é mercadão. Os camelôs estão em centenas e ocupam uma rua toda. As pessoas se movimentam em um rítmo alucinante. Tudo o que a gente vende lá, vem daqui. Uma simples lojinha japonesa daqui tem tudo. Tudo! E em cada esquina toca uma música diferente. Até parece uma boate com diferentes ambientes. E a 25 de março no sábado? É igual a Voluntários num dia de semana. Imagina a 25 num dia de semana...deve ser o Planeta Atlântida! E agora, pensa em alguma coisa.
-Que coisa?
-Qualquer coisa, vai.
-Tá! Um picolé coreano quadrado sabor melão.
-Então! Aqui existe! Lá no sul não tem.
-Uma rua só com fantasias!
-Também tem!
-Humpf... Ah, mas aqui os pombos não são tão grandes como lá!
-Ai, cérebro...fica quieto e continua a controlar minhas funções vitais direitinho, tá?
Enfim, fomos à Sé. Uma praça onde os pastores evangélicos fazem suas pregações em frente a uma catedral. Não vale ir a Sé sem entrar na catedral. De estilo gótico, ela é bem alta, cheia de colunas e "arcos" pontiagudos. E por fora, umas estátuas batizadas pelos pombos. Fomos também ao ensaio do Maracatu, um prejeto que há em uma escola lá na Vila Madalena. Ou Sumaré? De qualquer forma, foi o primeiro momento de contato com uma SP mais tranqüila, sem agitação, sem carros. Muito diver o ensaio. Um pedacinho de Pernambuco!
Por fim, fomos para casa em São Bernardo. Parece que foi um passeio curto. Mas vai andar pelo centro de Sampa com uma mala de 3Kg e pouco para ver se é bom! Neste dia, não tirei nenhuma foto. Pois estava bem embasbacada com tudo. Preferi não tirar fotos e guardar tudo na memória. Já agora me acostumava com a idéia de estar em SP. Quase que nem acreditava...

Fim do dia 1.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Instruções de vôo para principiantes

Gente, durante a semana anterior ao vôo, só de pensar em embarcar, parecia uma capira indo pela primeira vez ao shopping. Não fazia a menor idéia do que fazer. Foi nesses momentos que eu me comovi com a atitude das pessoas tentando me descrever ao máximo o procedimento de embarque. Meu amigo Rafa chegou a escrever um e-mail que me ajudou bastante! Por isso, resolvi repassá-lo aqui, caso haja mais alguém que nunca viajou de avião e vai fazer a primeira viagem sozinho.

Instruções de embarque by Rafael Rios Becker:

1. Check-in no guichê da Ocean Air (onde tu só apresenta a carteira de identidade. Dai eles te entregarão a passagem);

2. Ir para o portão de embarque. Fica no mesmo andar do check-in, a direita dos guichês. Ai tu apresenta a passagem para o leão de chácara(segurança) que tem na entrada, depois é colocar bolsa, mochila no raio-x e passar pelo detector de metais;

3.Se tu chegou nessa parte é pq tu não foi presa por estas com uma arma ou bomba...ehehehehe...brincadeira...dai é só tu ficar próxima ao teu portão de embarque, isso tem na tua passagem. O bom é ficar nas cadeirinhas estofadas do Salgado Filho aguardando, vendo uma tv com um sinal horrível e sempre ficar atenta as chamadas do voos;

4. Bueno, agora tu estarás provavelmente dentro do avião. É só ver tua poltrona, provavelmente vai ter uma letra e número.

5. A letra indica a "coluna" e o numero a "linha", tipo no excel...exemplo lugar A9. Primeira fila nona linha, contando de frente do avião para o fundo. Complicado? Acho que eu compliquei mais...eheheheh...mais isso é só pedir para um comissário de bordo;

6. Mochila deve ficar no porta bagagens de mão, aquele que fica no teto do avião. A bolsa leva na mão, dependendo do tamanho, eles vão pedir para que tu coloque no chão;

7. Dai é só afivelar o cinto e era isso. Aproveita o melhor exemplo prático de inércia...a aceleração do avião...melhor parte..ehehehehehe....

Valeu, Rafa!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Deixando o pago.

Foi no dia 31 de janeiro de 2010 que deixei o solo firme da terra para ir flutuar junto às nuvens, que de tão longe parecem algodões fofos e doces, quase um lugar perfeito para se deitar e descansar. Para ser mais curta e grossa, foi a minha primeira viagem de avião. E eu estava em pânico! De perto, as nuvens não são nada fofas, muito menos são doces. Parecem mais plasmas brancos recheados de nada. Não sei como aquelas coisas carregam a chuva. Aliás, acho que é por isso que chove: porque elas não conseguem carregar por muito tempo... E entrar em uma delas é uma sensação que eu não descreveria como agradável. Mas ao mesmo tempo, estava muito feliz! Voar de avião (até porque na minha espécie não teria como voar diferente) era um sonho para mim. Lembro que há um tempo atrás, olhava os aviões junto com os meus gatos, e pensava em como é incrível estar em Porto Alegre e, de repente, entrar numa nave como aquela e pousar em outra cidade, estado, país ou continente em poucas horas. Já os gatos, não tenho certeza. Mas penso que sonhavam em pegar um pássaro grande como aquele algum dia. Pois, finalmente, eu estava embarcando em um desses pássaros de metal. E ele iria pousar em terras de São Paulo.
São Paulo. Outro monstro a ser desvendado. A gente cresce ouvindo coisas como São Paulo é imensa; tem que andar de GPS para não se perder. Lá o trânsito é estupidamente violento. Tem que correr para entrar no metrô para não ficar preso na porta; mas não correr muito para não cair nos trilhos. Cidade violentíssima!;
segura bem a bolsa, olha bem pros lados, porque lá eles fazem fila para te assaltar. Todos os dias são nublados que nem Londres. Cada vez que chove, morrem 100. E chove todo dia! E nem vou falar da poluição... Ou seja, a gente cresce ouvindo que SP é um monstro do armário, maior que o armário, que fuma 10 cigarros de uma só vez e joga a fumaça na sua cara. Para que ameaçar as crianças com o bicho papão quando a gente pode dizer que elas vão morar em SP caso não comam sua salada? Mas poxa, conheci tanta gente boa que mora lá. Claro, conheci muita gente ruim também; mas qual a plantação que não tem suas pragas? Sampa pode ser um bicho grande sim, mas também é a terra das oportunidades, da diversificação, do teatro, do cinema, da cultura, da comida boa e de muita gente bacana. Gente boa mesmo! Por causa de uma dessas pessoas que conheci, resolvi viajar. E conhecê-la pessoalmente também.
Conheci a Jenny há uns 2 anos atrás (segundo ela mesma) pelo orkut. E já nem tenho mais o orkut. Trocávamos conversas por msn, e-mail, blog. E mesmo a distância, cultivava uma certa admiração por ela e uma confiança que não tenho nem por pessoas que conhecia pessoalmente e por mais tempo. E no último feriado aqui em PoA, tomei coragem e fui ir visitá-la em São Bernardo Do Campo.
Primeiro tentei comprar a passagem pela Gol. Mas a Gol é BrTelecom do sistema de aviação: eles têm uma passagem e você tem que convencê-los a te vender. Depois de muita confusão e desespero, a Jenny conseguiu comprar pela Ocean Air. Nunca voei com outra companhia, porém fiquei fã da Ocean. Tudo muito organizado, ótimo serviço de bordo.
O vôo saiu às 6h50min de PoA. Levei uma mala rosa pink, a mais fosforescente que eu encontrei (que era para não perder de vista). Do meu lado, sentou um cara bem legal, o Júlio. Não parava de falar... Mas acabou fazendo com que a viagem passasse depressa. E viajar de avião é ótimo! Minha primeira viagem foi uma sensção sublime!
Primeira etapa cumprida! Ao pousar no aeroporto Cumbica, já nem ouvia mais nada nem ninguém de tanta felicidade. Estava com um sorrisão maior que as orelhas.

Continua...

P.S. Obrigada a todas as pessoas que me alcamaram quanto ao embarque no avião!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Dinheiro posto fora

E isso é algo que eu quero dizer.
Há tempos que não estréia nenhum filme que eu realmente ache que valha a pena assistir no cinema. E ainda não estreiou. O primeiro filme que vi no cinema em 2010 foi Avatar 3D. Fui mais pelo 3D do que pelo Avatar. E já fui preparada sabendo que acharia o filme uma porcaria. Mas, puxa, uma porcaria que sai da tela. Eu nunca tinha visto nada em 3D antes, e o que mais me impressionou foram os trailers em animaçã 3D. Já o filme...foi um ingresso extremamente caro e ainda não pude levar nada de brinde. E para provar que não estou sendo muito crítica, é só reparar nas pessoas que lá pelas tantas tiram os óculos, de cantinho, para ver o que se perde. Eu tirei também. Fora as figuras embaçadas, não perdi muita coisa; isto é, acho que se tivesse visto em 2D, não teria sido melhor ou pior. Até porque, o filme em si já é um efeito especial grandioso. O 3D é só para dar uma forcinha àqueles com falta de imaginação. E para nós que já estamos acostumados com o que de melhor a tecnologia pode fazer nos cinemas, é díficil se deixar impressionar por algo. Mas admito que Avatar superou as expectativas. É tudo muito surreal. E os bichos meio pré-históricos, todos coloridos e brilhantes, são realmente muito bonitos. E que baita imaginação de quem os criou (regada a muito LSD?)! Todos os animais e plantas são deslumbrantes e muito "palpáveis", de fato.
E agora o que eu realmete quero falar: sobre a história, sobre a mensagm que o filme nos trás. O povo de Pandora se comunica com todos os seres vivos e considera cada pedaço de terra, semente, plantas, flor, animal sagrado. Já os demônios brancos, vulgo nós, só pensam em como convertar tudo em dinheiro a qualquer custo. Mesmo que esse custo seja destruir uma nação, um ecossistema, ou seja lá o que for inteiro. E todo mundo captou bem isso. Na academia, tinha alguém comentando de como, além dos efeitos, a mensagem era muito bonita. Na rua, sempre tem um outro alguém falando de como é uma lição de vida muito importante, como isso está acontecendo de verdade conosco. Enfim, onde quer que eu vá, a história de Avatar está sempre sendo exaltada de alguma forma. O próprio diretor, os próprios atores, sempre que têm a oportunidade, comentam que é com grande orgulho que fizeram parte de uma história com uma mensagem iminente que precisa ser dita ao mundo. Ora, baita hipocrisa!
Em primeiro lugar, todo mundo sabe que o povo tem memória curta. As pessoas só vão se lembrar enquanto o filme ganhar um Globo de Ouro, e depois o Oscar. Falando em tempo, se lembrarão até o fim de março e deu. E também, de nada adianta a grande massa concordar e repetir, como um grande rebanho de ovelhas, que é uma boa mensagem, que perdemos o contato com o mundo natural, que blá blá. Não precisa ser nenhum gênio, muito menos assistir a um filme 3D, para notar a nossa própria estupidez. E ficar falando, não resolve nada; é preciso agir. As pessoas não precisam falar; precisam tomar atitudes que podem converter nossa situação ecológica atual. Então, se não forem fazer nada, não falem nada também!
Segundo, já que todos que fizeram o filme enchem a boca para falar da importancia da filosofia do filme, por que eles não doam parte do lucro para instituições ecológicas? Até pode ser que doem, mas vai ser com um gostinho de "é o mínimo que podemos fazer". O mais provável, é que invistam em algo como Avatar 3D 2.
Enquanto assistia ao filme, tentei comparar os elementos fantásticos com os nossos do mundo real: os animais se comunicam com o meio; sabem e fogem quando uma tsunami vai ocorrer; nós vamos brincar na praia. Em suma, somos um bando de patetas brancos jogados aqui por acaso. Mas no momento em que retireios óculos, não pude parar de pensar na enorme contradição que e acabara de ver. Eu sei que, acima de todas as minhas críticas, Avatar 3D foi uma grande revolução para o cinema, admito isso. E que naquelas 2 horas e pouco, o filme te envolve e te leva para outro nível de pensamento. Sim, sou uma apaixona por cinema. Mas também tenho paixão pela nossa "Pandora". E não consigo parar de pensar que esses milhões de dólares poderiam ser usados para evitar que outros milhões de áreas verdes fossem devastadas para construir arranhacéus enormes. Poderiam ser investidos em projetos contra a exploração de combustível fóssil. Mesmo que Avatar tenha sido um marco na história do cinema, preferia perder essa referência em troca das árvores que poderíamos ter de volta. Dava tudo para ter as espécies de pássaros somente existentes em cativeiros voar em (suposta)liberdade no céu de novo. Lutaria até o fim para que cada animal que fosse morto, tivesse seu sofrimento reconhecido.
Avatar é um filme com efeitos especiais caríssimos e com uma pedagogia barata. E não quero com isso converter as pessoas a pensarem da mesma forma que eu. Muito menos a lutarem por um mundo sustentável, ou serem ecologicamente corretas. Gostaria apenas que falassem a verdade e parassem de fingir que se importam. Afinal, cada um gasta o seu dinheiro da forma que bem entender. Eu gastei o meu no ingresso do filme...

domingo, 25 de outubro de 2009

Ganhou o Oscar, mas é bom

Descobri um país pior que o meu: a Índia. Esse negócio de um lugar onde as pessoas vão buscar paz interior, com gente extremamente espiritualizada é tudo coisa para turista bobão. Favelas, desigualdade social, prostituição infantil aliada ao tráfico de drogas, miséria extrema; estava quase me sentindo em casa. Além do fanatismo religioso, que provoca uma "guerra" e outra entre eles. Parece que viver na Índia não é nada auspicioso. Assim que o diga Jamal Malik e Latika, de Slumdog Millionaire.
Assim que foi lançado Quem Quer Ser Um Milionário, morri de vontade de vê-lo. Todavia, depois que ganhou o seu "Oscar", tornei-me um pouco resistente. Isso porque eu sempre arrumo briga com os grandes ganhadores. Não que os últimos sejam filmes ruins, mas poxa, para ganhar um prêmio de melhor do ano...sinto que os jurados se reúnem para rir da minha cara. Bem na verdade, acho que eles só vêem os trailers e lêem as críticas do "New York something". Ou seja, escolhem o filme que a grande massa escolheria (não que eu esteja me referindo à grande massa com inferioridae). Mas agora tanto faz se os infelizs dos jurados foram felizes na escolha ou não, o que interessa é que eu vi. E gostei do que vi. Muito. Mas muito mesmo.
O filme é um misto de denúncia social com um romance de conto de fadas moderno. Tem tudo em uma coisa só: ação, drama, romance, suspense. Só não tem comédia; e, se tem, é algo do tipo vou-rir-pra-não-chorar. A história é sobre um servidor de café de um call center chamado Jamal, que para tentar reencontrar seu grande amor, participa do programa "Quem Quer Ser Um Milionário", que nada mais é do que um Show do Milhão hindu. Jamal, incrivelmente, acerta todas as perguntas, o que faz com que o apresentador desconfie de trapaça. E mesmo vendo que Jamal de fato jogava limpo, ele o denuncia à polícia. Isso porque o Sílvio Santos hindu é um baita filho da pu...mãe. Nada muito diferente do nosso. E é tentando explicar aos policiais de como ele sabia as respostas que sua vida vai sendo exposta, desde a sua triste infância até agora. E Jamal é, como diria a minha mãe, um guri bom. Tudo o que ele faz tem amor, soliedariedade, amizade. A narração de como virou órfão, sobrevivia de pequenos trambiques e furtos; de como se apaixonou por Latika, de como o destino os separou e a forma com que tentou de tudo para reencontrá-la comove o chefe da polícia, que o liberta. E comove a todos que lhe assistem também.
Algumas cenas bem chocantes me impressionaram. Por exemplo: aqui, os malandros se fingem de cegos para pedir esmolas. Lá, eles realmente ficam cegos. Lá, eles são capazes de mergulhar em um fosso de merda (não uma porcaria fosso, mas um fosso de fato repleto de merda) para tirar uma foto com o seu ídolo. Aqui, bem...já não posso dizer que alguns ocidentais babacas não fariam o mesmo. Mas pode até ser que o filme tenha um pouco de sensacionalismo, ao pensar que filosofias tão legais como o yôga, e pessoas tão bacanas como o Gandhi vieram da Índia. É claro, filmes sempre acabam fazendo um drama a mais para gerar comentários. Mesmo assim, se for para ir para lá, ainda prefiro ficar por aqui.
E o final é feliz. Relativamente feliz. Isso foi outra coisa que me chamou a atenção, já que normalmente os filmes que ganham o Oscar costumam ter um final trágico ou pessimista. Parece que final feliz é sinônimo de filme ruim. Mas dessa vez, não tinha como fazer uma escolha diferente. Até porque, eu acredito em finais felizes. É disso que a humanidade precisa: sorrisos de alívio após toda a desgraça. Cenas assim devolvem a esperança à vida das pessoas.

domingo, 4 de outubro de 2009

Pequenas coisas que achamos por aí

Eu realmente não tenho vergonha na cara. Passei o mês de setembro todo sem postar nada. Mas desta vez não foi a falta de tempo: mudei de emprego. Estou numa empresa onde trabalho de terça a sexta, seis horas por dia e ganho o equivalente à duas vezes a mensalidade de medicina na Ulbra. Com tanto tempo livre, resolvi tirar férias da web. Tá bom, é mentira. Não escrevi nada porque não tive tempo. Sim, a desculpa é velha, é esfarrapada, mas fazer o que? Ainda trabalho de segunda a sábado, às vezes de domingo a sábado, de nove a doze horas por dia e o que eu ganho mal dá para financiar um fusca. Em outras palavras, me sujeito a um sistema imundo, ou capitalista, temporariamente. Mas isso é só até meu cérebro se reorganizar; às vezes "é necessário dar um passo para trás para dar dois passos para frente". No entanto, morro de medo de me tornar um personagem de Sam Mendes: me acomodar com a vida e deixar de acreditar que os sonhos podem se tornar reais.
Mas agora deixando de lado o momento drama da minha vida, hoje eu assisti a Marley & Me. Um dvd emprestado, claro; nunca que eu ia gastar R$4,50 em um filme de cachorro. Menos ainda se tiver o Owen Wilson no elenco. No entanto, todos os comentários que chegaram aos meus ouvidos era de que o filme é surpreendentemente bom. Well. Não vou dizer que eu gostei, nem vou dizer que eu não gostei. Apenas não tive expectativas, portanto não tive decepções. É uma história aguada, no estilo comédia americana, sobre um cachorro muito, mas muito atentado, que desperta o melhor das pessoas. Fora o cachorro atentado, não enxerguei mais nada da sinopse no filme. O que vale mesmo são as frases finais, quando o Marley morre. São palavras piegas, porém puramente verdadeiras. Mas nem chorei. Tá bom, é mentira. Chorei. E ah! Não venham me dizer que estraguei o final do filme porque todo mundo sabe que o maldito cachorro morre!
Como o filme de hoje não rendeu, vou estender a conversa falando sobre o filme que vi na semana passada: Uma Vida Iluminada. Simplesmente brilhante! Ou, se me permitem o trocadilho, iluminado! A história é sobre Jonathan Safran Foer. Nem precisa dizer que é judeu...apenas acrescento que é norte-americano. Esse tal de Jonathan de fato existe e escreveu um livro "Tudo se Ilumina", no qual foi inspirado o filme. Não é uma história autobiográfica. Mas ouso dizer, mesmo sem ter lido o livro, que certamente é um pouco autobiográfico sim; mesmo que simbólico, em um nível mais complexo de raciocínio.
Jonathan, interpretado pelo Froddo, que aliás está ótimo, além de judeu, tem uma mania muito, uhm, peculiar: colecionar tudo o que vê e que o lembra uma situação ou alguém. Colecionar selos, moedas é normal. Bem na verdade é coisa para quem não tem o que fazer, porém é aceitável. Entretanto Jonathan coleciona dentaduras, punhadinhos de terra, pedaços de comida e outros artigos imprevisíveis para uma coleção. Antes de sua avó morrer, ela lhe dá uma foto de seu avô com uma mulher ucraniana que salvou sua vida durante o nazismo. Ele decide então conhecê-la e vai para a Ucrânia, com a ajuda de Alex Perchov e seu avô. O negócio dos Perchov é justamente ajudar judeus a encontrarem seus antepassados, apesar de acharem que judeus não servem para nada, a não ser para incomodar. E os três saem para a busca acompanhados da cadela demente Sammy Davis Jr. Jr. E a história vai sendo narrada por Alex, com seu inglês extremente precário (Jonathan vira Jonfen), deixando a coisa toda mais divertida. Além do avô, que rouba alguns momentos com a sua estranha raiva de judeus, promovendo a dúvida revelada ao final do filme: seria ele nazista ou mesmo um judeu?
A paisagem do filme é simplesmente exuberante. Campos verdes, plantações de girassóis. Nunca consegui plantar nem um girasol que chega a dar raiva de ver uma plantação inteira... Anyway, eles seguem viagem procurando uma cidade que nem sabem direito o nome, e muito menos onde fica. Menção à cena da batata: Jonathan também é vegetariano. Ele só tinha uma batata para comer, e ela ainda cai no chão. Identifiquei-me. E descobri que vegetarianos são discriminados no mundo todo. Se bem que eu já desconfiava disso...
Ao fim, encontram uma velhinha, que conhecia a garota da foto e que os leva ao tal do lugar. Uma velhinha completamente alienada do tempo e com uma coleção ainda maior que a do Jonathan. E assim se desenrola o fim da história, ao mesmo tempo dedusível e inesperado.
Falando assim, Uma Vida Iluminada parece um filme que já vimos antes, com uma historinha emocionante, que fala de judeus pobrezinhos que sofreram com o nazismo. Bem pelo contrário: é um filme de uma estranheza meticulosa, que mistura o tempo presente com imaginação e com lembranças do passado. E justamente essa bizarrice ímpar que me fez adorá-lo! Simplesmente a minha cara. Tanto que chega a dar uma invejinha de não ter tido a oportunidade de dirigi-lo. Além disso, é o tipo do filme que, ao terminar, ficamos refletindo sobre ele. Mesmo que não se chegue a conclusão nenhuma, dá um prazer indescritível tentar deduzir e interpretar suas metáforas.
Bem, acho que por hoje está bom. Na verdade poderia estar melhor. Aliás, sempre pode estar melhor, mas já isso é outro assunto. Até a próxima.