segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Annabelle.

O terror é um gênero bastante desprezado pela maioria das pessoas. Quando vemos um cartaz de um filme de terror, já pensamos em muito sangue, demônios, pessoas com doenças psiquiátricas e finais bem óbvios, sendo que o terror acabou virando sinônimo de trash. Boa parte deles realmente correspondem a essas expectativas; eu, particularmente, sou mais atraída pelo suspense do que pelo terror. Mas justiça seja feita, no meio de todo o sangue derramado e das possessões demoníacas, existem coisas boas.
Na verdade, não é que eu não goste do terror. O fato é que o ser humano é mesmo um bicho meio estranho e que gosta de sentir medo. Se eu procuro um filme desse tipo, é porque quero levar sustos. O medo é mesmo uma sensação horrível, mas o filme de terror só é bom se eu tiver que dormir com a luz acesa. Vai entender... O que acontece, então, é que a maioria dos filmes não causam medo. As situações criadas são pouco prováveis de acontecer, e algumas delas são bem nojentas causando mais repulsa do que medo. E se tiver um grupo de amigos em uma cabana no meio do mato, dá até para apostar em que ordem eles vão morrer. Filme de terror bom é aquele que não mostra nada, que só tem sombras, luzes, barulhos esquisitos, ou seja, coisas plausíveis de acontecer na vida real, e que de fato acontecem. Afinal, quem nunca se assustou com a própria sombra? E se no início do filme estiver escrito "baseado em fatos reais", aí sim...
Existem alguns filmes que já estão consagrados e que são bons, como o Bebê de Rosemary. Não mostra nada, nem mesmo o bebê, e eu confesso que fiquei meio paranoica depois de assistir. Outro filme que me marcou, foi Os Outros. Lembro da roupa que estava vestindo, que era dia de inverno, deveria ter 12 ou 13 anos, acabara de voltar de festa junina da minha escola e estava sozinha em casa. Lembro também que tocou a campainha no meio do filme e eu quase infartei. Apesar de não curtir muito filmes com câmera amadora, Atividade Paranormal, o primeiro, foi muito bem feito! Também não tem absolutamente nada explícito, tanto que durante o filme a gente não sente muito medo, acha até tudo meio idiota. Só que depois, na hora de dormir, escutei um barulho e "ai, meu Padinho Padiciço, quem tá aí??". Neste dia, eu dormi de luz acesa. O meu pavor provavelmente foi ainda maior do que o do restante das pessoas, já que eu durmo com o meu namorado. Para começar, ele tem um sono de pedra. Se vier um monstro no meio da noite, estou ferrada, porque ele nunca acorda. Além disso, ele fala sozinho, e nem sempre entendo o que ele fala, dando a impressão de é um latim de trás para frente. Sem contar que as vezes ele senta na cama e jura que não se lembra de nada quando acorda. Deve ser algum tipo de sonambulismo, e, se for, sonambulismo não é de Deus. 
O último filme que me deixou sem dormir, foi Invocação do Mal. O título não é muito atrativo, e só fui ver porque um amigo meu disse que era bom. Pouta que o pario. Tive vários mini-infartos durante o filme. Eu e meu namorado sonâmbulo o paramos do meio para decidir se realmente queríamos continuar assistindo. Na minha opinião, é um dos melhores já feitos do gênero, os atores são muito convincentes e a direção é perfeita. Tem uma ou duas cenas meio forçadas, mas a essa altura, a gente já tão cagado que nem liga. Na tentativa de repetir o sucesso, então, surgiu Annabelle. 
Na verdade, Annabelle é a história anterior ao Invocação do Mal. Inspirado na história do casal Warren, a boneca original existe até hoje e não tem nada a ver com a do filme. A Annabelle de mentira é muito mais assustadora. Bem na verdade é a coisa mais assustadora do filme, pois dá medinho só de olhar para ela, mesmo sem estar possuída. Fora isso, o filme não assusta nem metade do que o seu antecessor, isso que fui ver no cinema. Os protagonistas não me convenceram muito, achei bem ruim a escolha. O início no filme é bom, tenho que admitir. A cena de assassinato dos pais de Annabelle, que disse que tinha fugido com os hippies, mas foi na realidade foi bater um papo com o capeta, foi muito bem dirigida. Os primeiros minutos são realmente bem tensos. Outro momento que vale a pena comentar, é lá pela metade da história, quando a protagonista vai ao depósito do prédio e dá de cara com o chifrudo. Ademais, o filme não é tudo isso, e o final, infelizmente, é bem dedutível. Ainda assim, a história prende a atenção e a gente acaba querendo saber o que vai acontecer. Apesar de ser um pouco decepcionante, para quem gosta, acho que vale a pena ver. Eu dormi tranquila.  

domingo, 23 de fevereiro de 2014

"Dizem que as crianças não mentem. Infelizmente elas mentem muito."

"A Caça", filme dinamarquês dirigido por Thomas Vinterberg, é um drama delicado, que conta a história de um homem que é acusado injustamente de pedofilia. Lucas, interpretado por Mads Mikkelsen, o "O Amante da Da Rainha" e atual Hannibal da televisão, trabalha em uma escola para crianças em uma nanocidade, onde todo mundo sabe da vida de todo mundo. Como se não bastasse os problemas que enfrenta com a ex-mulher, que o impede de ver o filho, ele ainda é acusado de pedofilia por Klara, de apenas 5 anos. O que acontece, na verdade, é que Klara tem uma desas paixonites de criança por Lucas, a qual não é correspondida (graças a Deus). Zangada pela "rejeição", ela resolve dizer a professora responsável pela escola que Lucas exibiu seus órgãos genitais a ela. Ela, então, descreve as fotos que seu irmão mais velho lhe mostrara em casa. Família ótima essa. 
Aí aparece um gordo, acho que psicólogo ou coisa que o valha, para interrogar a pequena demônia. No início ela tenta negar, mas o gordo, em vez de analisar a situação e tentar compreender a mentira, ele a força a continuar na mentira, fazendo com que Klara contasse mais uma vez os fatos que não ocorreram. Não demorou muito para que todos na cidade fossem comunicados de tal ato repugnante, e o professor passou a ser repudiado e agredido por todos. 
A maioria das pessoas pensa que crianças são sacos com uma metade cheia de amor e pureza e a outra vazia, pronta para receber a produção da sociedade. Nos temos todos os sentimentos já, desde o amor até a raiva, porém, quando pequenos, ainda não sabemos lidar direito com a consequência que tudo isso causa (e às vezes nem depois de grande). Primeiro houve a raiva, depois a vingança, a mentira e o arrependimento. Porém, mesmo Klara confessando que seu professor era inocente, as pessoas preferem se apegar ao mal, e continuar com o falso julgamento. E, ao fazer justiça com as próprias mãos, as pessoas revelam sua natureza cruel e mostram até que ponto podem machucar pessoas (nesse caso um cachorro...) inocentes para agredir alguém. 
A metáfora da caça é usada no início e ao final do filme para lembrar-nos que enquanto caçadores tudo está bem, e até sentimos um certo deleite; no entanto ninguém gosta de ser a caça. É um ótimo filme para refletir sobre os nossos julgamentos precipitados, entretanto não o recomendo para os dias muito felizes para não gerar revolta desnecessária, nem aos muito tristes para não correr o risco de alguém cortar os pulsos, pois o filme é angustiante do início ao fim. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A grande mentira.

Se existem lembranças boas da minha infância, essas lembranças são os dias de Natal. Hoje, o Natal é a festa do consumo. As pessoas ficam meio enlouquecidas, saem às ruas como formigas no formigueiro, vão aos shoppings como a boiada que sai do cercado e acabam com todo o estoque do mercado mais rápido do que uma nuvem de gafanhotos na plantação. Depois elas bebem, comem, bebem muito e comem mais ainda. Na manhã seguinte, a rua é um silêncio: os vizinhos de ressaca, dormindo até às 13h, e acordam pra desfiar o peru e fazer o almoço do dia 25. Fora o silêncio do dia seguinte, o Natal nem sempre foi assim. Houve um dia em que o Natal era mágico.
As melhores lembranças que tenho da minha infância são das vésperas de Natal. O Papai Noel existia, e não era só um velho que passa calor no shopping: era um homem mágico, que me trazia presentes no fim do ano, caso eu tivesse me comportado bem. Mas eu nunca ousava chegar muito perto, ou ele roubaria a minha chupeta. Trocaria todos os presentes do mundo pra ficar a minha chupeta, que era sagrada. Então, eu fazia uma lista com todos os pedidos e a entregava pro meu pai, que a levava para o Papai Noel.  Não me importava de não ganhar todos os presentes, ou mesmo de ganhar um só, mas se fosse o presente trocado...ah, então se tinha uma Vanessinha enfurecida, e isso não era legal. Por isso, meu pai sempre ia comigo à loja de brinquedos pra ver qual era o brinquedo certo. E anotava tudo e dizia assim "agora eu vou falar com o Papai Noel, e ele vai ver quais os presentes ele pode trazer". E eu sempre pedia a casa da Barbie, mas ele nunca me trazia. Meu pai disse que o Papai Noel disse pra ele que não valia a pena, que era muito grande, que não tinha onde guardar e das crianças que ganharam, todas reclamavam que não vinha mobilhada, e por isso eu nunca ganhei. A verdade é que a casa custava mais de 400 reais, e o Papai Noel não ganhava tanto dinheiro assim. 
As 3 coisas que eu me lembro bem dos Natais passados é 1) minhas Férias Frustradas de Natal passando na Sessão da Tarde, 2) minha mãe finalmente acabando de pagar o carnê da Renner e já começando outro e 3) eu indo buscar a vó com o pai para vir cear com gente. Se tinha uma coisa que era sagrada ir buscar a vó. E eu inocentemente ia sempre, feliz, sem questionar, afinal, por que eu deveria ir junto. Quando chegava em casa, os presentes já estavam todos embaixo da árvore. Minha mãe não sabia como tinham aparecido lá! Ela ouvia um barulho, e quando descia as escadas, os presentes já estavam sala e o Papai Noel saia correndo apressado, com sua chave mágica que abria todos as portas e que usava em sociedade com o coelhinho da Páscoa. Meu irmão já era grandinho e tinha que fazer de conta que acreditava do faz de conta para não estragar tudo. E era sempre uma festa. Valia a pena ter se comportado bem o ano todo. A mãe ensinou a não rasgar os papeis de presente, porque além de ser feio, ela não poderia reaproveitar para embalar outros presentes. Então, eu demorava horas para tirar todos "os durex" dos pacotes. Mas era um momento tão sublime que não me importaria de levar a vida toda... 
Então um dia eu comecei a questionar certas coisas: por que eu tinha sempre que buscar a vó? Por que não ficar em casa e esperar o Papai Noel? Foi assim que a mágica no Natal deixou de existir. E foi o momento mais difícil da minha infância, mais difícil do que entender de onde os vêm os bebês, foi o momento em que eu descobri que os meus pais mentiram para mim, a minha vida toda até ali. E como confiar neles agora? Sobre o que mais teriam mentido para mim? Sim, também tinham mentido sobre o coelhinho... Obviamente o instante de revolta passou e eu perdoei meus pais. Aos poucos, tudo foi perdendo o sentido, ainda que minha mãe insista em montar o pinheirinho, mesmo que não tenha mais nenhuma criança curiosa espiando embaixo da árvore para ver se os presentes já estão lá. 
Mas hoje, olhando para trás, vejo que o Papai Noel era, na verdade, o melhor cara do mundo. Ele ainda não tem dinheiro para comprar a casa da Barbie, mas influencia minha vida todos os dias e me dá o melhor presente de todos que é ser meu pai e ter a minha família sempre junta. Até hoje minha mãe e meu irmão escondem os presentes e não deixam eu saber o que é até a véspera de Natal. E hoje vejo a importância de ter acreditado nisso tudo. O adulto chato de hoje foi a criança chata de ontem. E a criança imaginativa de hoje vai ser o adulto criativo de amanhã. Por isso agradeço muito aos meus pais por toda essa mentira, que na verdade fazia parte de uma grande história que fez mim o que sou hoje. Obrigada por terem me feito acreditar e por serem, sempre, os meus melhores presentes todos os dias! Os Natais de hoje até podem ser meio amargos, mas essas lembranças sempre serão doces. 

domingo, 19 de agosto de 2012

Para sentir.

Lindo! Nada menos do que lindo pode-se dizer sobre o delicado mudo "O Artista". Iria dizer que fiquei sem palavras, mas então percebi que era um trocadilho muito do sem graça. O problema é que é realmente muito difícil escolher as palavras certas para descrever tanta beleza em um único longa.
Elegante. Jean Dujardin é George Valentin, um astro do cinema mudo. Até porque, não existia o falado ainda. E parece mesmo que alguém o recortou de uma película antiga e lhe deu vida com um pó mágico. Jean se parece tanto com um galã da época com aquele sorrisinho torto de lado, tão excessivamente garboso e de olhar malandro, que é díficil acreditar que seja alguém real dos dias de hoje. Realmente muito elegante. Só que é um elegante que usa bigodinho...e bigodinho nem é uma coisa assim tão elegante, pois sempre que penso num protótipo beleza no tempo atual, ele tem a barba para fazer. Bigodinhos hoje são cafonices que um dia foram elegantes.
Triste. É a história do cinema mudo que abre espaço para a voz e tem uma pitada de romance, assim como Cantando na Chuva. Mas não, não é como Cantando na Chuva, que é um musical-pastelão que enaltece a então nova modernidade e dá glórias ao Gene Kelly. O Artista é um filme mudo, em preto e branco, que relata a decadência do império do cinema mudo, bem como a de seus imperadores. Às vezes  a gente olha aquela foto antiga, vestindo uma calça boca de sino com um salto anabela e dá risada, um pouco aliviada por ter saído de moda. Mas quando são pessoas que saem de moda, a situação é diferente; não podemos comprá-las novas e guardar as velhas numa caixa de sapato. E o grande galã de outrora agora é condenado ao ostracismo e dá lugar a novas estrelas. Triste...que nada! Tudo isso só serviu para mostrar a quem não viveu esta era como foi grandioso o cinema mudo e como são eternas as pessoas que por ele passaram, salve, Rodolfo Valentino! O cinema mudo é uma arte e para poucos.
Clássico. Apesar de contar sua derrocada, o filme é mudo. Falar é fácil; complicado mesmo é expressar-se sem dizer nada. E sem traduzir em libras. Por terem poucas "falas", todas as frases "ditas-escritas" causavam muito efeito. E as musiquinhas? Ah, as músicas! Hoje elas vêm embutidas no som da televisão; antes, tinha de levar a orquestra inteira para o cinema. E um olhar precisava falar mais do que mil palavras, literalmente. Cada linha de expressão facial tinha a intensão de exprimir um sentimento diferente. Clássico, só se for no sentido de algo que deveria ser sempre usado (exceto a orquestra, pois ocuparia muito espaço). Admiro muito os atores que utilizam caras e bocas como seu melhor (neste caso o único) instrumento de trabalho.
Piegas? Uhm, um pouquinho. Tem um cachorro fofinho e fiel companheiro, um mordomo leal, um casamento infeliz, um amor que não se concretiza e uma linda garota. Mas piegas é uma palavra muito feia e deselegante. Ainda que possa ser verdade, chamar algo de piegas parece um insulto. Não, não. Piegas, não.
Encantador, fabuloso, tocante, original, esplêndido, comovente, romântico... Enfim, é tudo isso, mas não é bem isso. Não tem jeito, cometerei o tracadilho sem graça: retiro todas essas palavras, ficarei sem nenhuma. O problema é que O Artista é um filme que toca a alma da gente, e as coisas da alma não podemos descrever: apenas sentir.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Não tá morto quem blogueia!

E aqui estou eu de novo tentando reerguer esta casa. Já faz um ano que nem abro a página do blog. Mas isso é porque a faculdade não deixa...aliás, a faculdade não me permite ter vida social, não me deixa dormir, me obriga a ficar os finais de semana em casa...e nas horas vagas eu como e tomo banho. Só que sou teimosa e não vou desistir tão fácil de escrever. E, por coincidência, o mesmo filme que me fez escrever pela primera vez aqui, agora me traz de volta no post de re-inauguração. Aos poucos, espero que minhas inspirações voltem. E saudade que estive daqui...

E o Cinepocket ressurge...

"Acredito que para superar o The Dark Knight, o terceiro filme do homem-morcego vai dar trabalho! ". Foi o que eu disse depois de sair do cinema após ver o segundo filme do Batman, "O Caveleiro das Trevas". Foi o que todo mundo disse. Não, Batman não é o filme mais filosófico do mundo. Sim, é um típico caça-níquel americano para pegar bobos. Mas não significa que não possa ser bom e que não tenha lá a sua magia. E eu fui uma tremenda boba que caí nesta: saí da sala com uma expressão de "uau" no rosto e tudo o que o conseguia pensar era..."uau". Atuações marcantes que entraram para história, releitura original das personagens, enfim, cada detalhe perfeito e muito bem adaptado. O próprio Chris Nolan havia se lançado um desafio: superar-se. Será que é possível uma seqüência à altura? A expectativa era grande. E eis então que ressurge o Cavaleiro, nascido sob as luzes dos holofotes de Hollywood, lapidado com muitos efeitos especiais (de explosões) e...e...ficou uma bosta. Ai, que triste!
Engraçado como todas as pessoas amaram o filme, só se ouvia mil elogios, que o vilão era mau, muito mau, mas muito mau mesmo, mais malvado que o Coringa, que o Coringa virava um Poodle cor-de-rosa perto dele. Mais maligno que Coringa?, pensei, Caramba, deve ser satânico! Minhas expectativas aumentaram mais ainda, virou um monstro, que acabou sendo nocauteado.
O início, um tanto parado, nada de muito interessante acontece. E quando as coisas começam a acontecer, não passam de explosões e tiros (momento tenso, devido aos lunáticos invasores de cinema...). A Mulher Gato, que acabou sendo rebaixada a ser apenas Selina, ganhou destaque logo de início, o que também achei esquisito. E por falar nela, gostei da Anne Hathaway, apesar de ninguém ir muito com a cara dela. Achei ela linda no papel. O que eu não gostei mesmo foi da reconstrução feita da Mulher Gato. Tinha poucos movimentos de gato, que são naturalmente sedutores e um pouco preguiçosos, de caráter um tanto traiçoeiro, com olhar penetrante e hipnotizador. O resultado acabou sendo uma personagem feminina de ação bastante clichê, irônica com piadas previsíveis, que tinha mais força do que habilidade e lutava melhor que o Batman. Fato. Recordo mais das cenas de luta com ela do que as do próprio Batman; e as poucas que me lembro, ele estava apanhando... Se Heath Ledger abalou as estruturas de Jack Nicholson, o mesmo não aconteceu com Michelle Pfeiffer: apesar da boa atuação de Anne, Michelle será a eterna Mulher Gato que adoramos. Meow.
E não foi só essa a personagem que me decepcionou...Alfred, o sábio mordomo e serviçal eterno do sr. Wayne, se transformou em um velho sentimental, deu um piti e sumiu na metade do filme. E Bruce Wayne?  Que moço volúvel...amava Rachel, mas tá, ela morreu, bola para frente...acabou gostando de Miranda Tate, interpretada pela linda Marion Cotillard, que parecia ser mesmo sua nova paixão até tentar matá-lo, então, no fim, foi melhor ficar com a Selina mesmo. Te benze, Batman!
E o vilão terrível? Bane. Usava uma máscara, que dizia ser para aliviar a dor, mas eu acho mesmo que ele queria era ficar com a respiração do Darth Vader. E mesmo com toda a sua perversidade, senti falta de um vilão mais marcante, daqueles que a gente dorme com a luz acesa para não ter pesadelo. A idéia era trazer de volta o tormento da Liga das Sombras do primeiro filme. Bane fazia parte da Liga, porém foi expulso. Foi criado em uma prisão subterrânea, que tinha como acesso para a superfície o poço de "O Chamado", na qual prendeu Batman. Para escapar, era preciso escalar uma parte e realizar um salto; salto este que ou era bem-sucedido e o Batman fugitivo escaparia, ou ele erraria e caíria. Era libertar-se ou morrer. Algo como Jogos Mortais no poço da Samara... Ok, bobagens a parte, Bruce ficou tanto tempo preso, que, por alguns instantes, esqueci a que filme estava assistindo.
E o fantástico Batmóvel? Foi susbstituído por uma aerobat espacial. Sem piloto automático...E nunca pensei que fosse dizer isso, mas a personagem que salvou o filme foi Robin, quando era apenas um policial. Vivido pelo bonitinho Joseph Gordon-Levitt, de "A Origem", não teve sua aparição muito anunciada nos trailers, porém cumpriu sua missão de forma brilhante, já que não é nada fácil transformar um papel de pouco destaque em algo, não digo inesquecível, mas ao menos para se lembrar. Ainda mais o do Robin, que como o próprio Christian Bale anunciou "Não farei uma seqüência de Batman se tiver de contracenar com o Robin". Preconceito, hein, Batman? Mesmo assim, Gordon-Levitt fez um modesto, contudo ótimo trabalho. Será ele um futuro Batman, em uma futura e nova série? É de se cogitar a hipótese.
E no final, Bane não passava de um testa de ferro. De quem? Da Miranda! Sim, a meiga Miranda era a verdadeira filha das sombras, que pretendia terminar a obra de seu pai. Miranda...essa menina era a Rita!, com sede de vingança. Será que as pessoas nunca vão aprender que a vingança não é plena, mata a alma e envenena? Um fim que para muitos foi surpreendente, eu achei um pouco com cara de novela mexicana. Ah sim, e tinha uma bomba. Bomba esta que explodiria em menos de 2 minutos e ainda tem uma cena de beijo no meio...oi? Gotham City irá pelos ares em alguns segundos, oba!, Carpe Diem... E, se eu não me engano, a Rachel morreu com uma explosão de uma bomba normal, não? E Batman sobreviveu a uma bomba de fusão nuclear...oooi?? Está certo, é ficção, mas agora forçou a amizade. De qualquer forma, ele sobreviveu e pareceu ter mesmo se "ajeitado" com a Selina. Sim, porque "Era só beijar que ele já considera o amor da vida", como disse a querida Gabi Petitot, "batdecepção". 
Não sei dizer se não gostei do filme porque de fato era ruim, ou porque o segundo tornou-se tão fenomenal que enterrou qualquer possibilidade de fazer algo melhor. Acredito que Michelle Pfeiffer é a melhor Mulher Gato, e que o Coringa ainda é o pior dos vilões. Uma pena. Poderia ter sido algo realmente incrível. O Caveleiro das Trevas Ressurge; e volta para a escuridão.

P.S. Para quem quiser relembrar o post feito para Batman, O cavaleiro das Trevas.

domingo, 31 de julho de 2011

Mais uma criação saindo do forno!

Demorou, mas saiu! Finalmente ficou pronto o modelo da nova ecobolsa do Chaplin. Toda feita em tecido de algodão e, como sempre, com muita dedicação. Ela é realmente muito grande; é perfeita para as mulheres que, assim, como eu, levam a vida dentro da bolsa. Além de ser linda e cheia de personalidade! E para ter a sua, é só mandar um e-mail para vanesselumiere@gmail.com ou add (o mesmo e-mail) no msn. É possível deixá-la ainda mais com a sua cara, trocando a cor, o tamanho ou mesmo a estampa. Entrega para todo o Brasil.



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sobre liberdade e democracia.

Achei um achado no Youtube. Na verdade, acharam para mim. Meu professor de geografia recomendou esta pequena película. O 11 de setembro chileno. Achei estranho, a princípio: era um 11 de setembro que eu não conhecia; não era o 11 de setembro dos EUA, que todo ano faz aniversário, que os documentários do Globo News, do GNT e do Discovery não nos deixam esquecer. Era um 11 de setembro que a gente estuda uma vez na história e depois esquece. Senti até um pouco de vergonha em pensar que vi (várias vezes, confesso) dois bebês conversando no Youtube, mas este vídeo, nunca. Ainda bem que existem os professores de geografia.
O curta é lindo. Seria ainda mais lindo, se não fosse verdade. Acho que está na hora de parar com essa história toda de "terror" e de perseguição; de mocinho e de vilão: Saddam foi enforcado; Osama executado. E o Pinochet? Morreu de velho...


sexta-feira, 29 de abril de 2011

R-r-ro-oyal M-mo-ovie.

Realmente, me impressiona a quantidade de folhas de jornais e os canais de televisão falando sobre o casamento da família real. O que eu acho? Estou cagando para o assunto. E o que mais me irrita é o fato de eu estar cagando para isso e ainda estar ciente de todos os "acontecimentos" reais, já que praticamente é só o que transmitem na TV e comentam na rua. E parece que o mundo pára, que as notícias não acontecem mais, que não tem mais fome no mundo, que o Egito vive em paz, que os tutsis andam de mãos dadas com os hutus, que a gasolina não vai subir... Eu tento fugir, mas nem no twitter eu tenho paz. E já fizeram um filme com a história do romance (!), e parece que bem meia-boca, pois foi duramente criticado. Bem, como o filme ainda não foi lançado, e, mesmo quando for, eu não irei ver, não terei certeza quanto a qualidade. Mas, considerando a minha má vontade, desta vez concordarei com a crítica sem ver o romance. Então, vamos falar sobre o que já foi lançado e visto: "O Discurso do Rei". Tudo para ser um filme odiável, mas, incrivelmente, não o é. Um dos casos em que o elenco, definitivamente, salva o jogo.
Nunca entendi porque uma família é real e a outra não. Gostaria de ver o DNA de um deles para saber se é azul, ou coisa do tipo. Acho que ter uma família real fazia algum sentido até o séc. XVII, mas hoje, acho que é pensar pequeno, que é insistir em manter vivo algo que poderia estar melhor se estivesse morto (como o programa da Xuxa, sabe?). O Discurso do Rei tenta encobrir um pouco essa realidade e faz com que a gente sinta um pouquinho de solidariedade com o rei. George, pai da atual rainha, era gago. Mas poxa, o cara reinava, não governava e vivia (muito bem) do dinheiro público. Assim, até eu topava ser gaga! Então, vem a história triste: a cada tentativa de discurso, ele se engasgava todo, e sofria chacotas de todos, até do irmão. Uma espécie de royal bullying. O problema é que fora essa pequena rejeição familiar do rei, a história, apesar de verídica, não traz um drama envolvente. Os personagens em si não são muito atraentes, exceto pelo terapeuta, Lionel Logue, que trata de George. Lionel, vivido por Geoffrey Rush, um dos meu atores prediletos, trata George não como um rei, mas como alguém normal, não dizendo que um rei seja anormal. Aliás, ele o chama pelo apelido, Berty, induzindo o público a vê-lo também como um amigo e não como um ser supostamente superior. O método, na época, era pouco convencional, causando uma certa resistência ao paciente. Porém havia sido o único a apresentar resultados, o que transformou Berty e Lionel em amigos de fato. Entre uma sessão e outra, são apresentados, além das técnicas de cura para a gagueira, um pouco dos relatos sobre a vida do rei. Ele sempre teve problemas com o irmão. Desde a infância. Quando ele era apenas um principezinho, a royal nanny, por gostar mais do irmão, deixava Berty sem comida. Quase chorei. Juro. E são pequenos relatos assim que vão nos amolecendo, nos aproximando do rei, que agora já se parece mais conosco.
Contudo, o ponto de destaque do filme é o elenco. Escolhido a dedo! De verdade, de verdadinha, quem tem carisma não é o rei, e sim o Colin Firth, que está impressionante!Nunca duvidei das qualidades do Colin como ator, mas como o rei gago, ele consegue se superar e conquistar a simpatia de todos. Quem está muito bem, também, é a senhora Tim Burton, Helena Bonham Carter, como a rainha, não a Vermelha, mas a Elizabeth. Geoffrey Rush, como já mencionado, está ótimo tanto quanto ator, como personagem. Vale também dar um destaque especial a Timothy Spall, que mesmo aparecendo pouco, rouba as cenas ao representar Winston Churchill, com língua presa e tudo. E, em harmonia com o elenco magistral, a direção e o cenário perfeito em cada detalhe também encantam e complementam o visual.
Agora, uma pequena reflexão fajuta: mesmo, aparentemente, tento tudo, Berty não era completamente feliz e satisfeito; e, mesmo sendo rei, não tinha autoestima. Por isso, para quem perde o tempo, mas não perde os detalhes do royal wedding, saiba que a humanidade toda tem problemas. Se não for dinheiro, vai ser afetivo, se não for afetivo, vai ser outra coisa qualquer. Não adianta ter inveja do anel ou do vestido da noiva real, porque ela deve ser feliz tanto quanto a gente. Ter tudo pode não ser tudo. Pensemos nisso.

domingo, 24 de abril de 2011

Nota de fim de semana em PoA.

Começou ontem o festival CineEsquemaNovo em Porto Alegre. O evento exibe e discute os diferentes e novos conceitos de arte visual brasileira. O festival CEN de 2011 terá mostras na Usina do Gasômetro, Cine Bancários e Santander Cultural. Para quem quer entender e conhecer um pouco mais sobre as produções, uma boa dica é acessar o Blog do CEN. Lá, tem muitos vídeos e entrevistas bacanas sobre quem já pintou ou vai pintar no festival. A programação completa se encontra no site CineEsquemaNovo. Para quem tem as tardes livres, gosta de novidades no cinema alternativo e é curioso, vale a pena dar uma passadinha em alguma das mostras. O máximo que vai acontecer, é a gente sair na metade do filme.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Um dia de Clarisse.

Está aí: preciso parar de me preocupar com o que dizem os outros.
Dia desses vi "NY, Eu Te Amo". Repete o mesmo formato de "Paris, Eu Te Amo", só que em homenagem a cidade de Nova York. O que eu penso de um vale para os dois: alguns curtas muito legais, outros nem tanto e uns bem ruinzinhos mesmo. Tentei selecionar alguns, os que mais gostei, para escrever sobre, mas acabei rasgando o papel (sim, as árvores que me desculpem, mas eu ainda faço o rascunho no papel); comecei a pensar que algum curta de que eu gostei um outro alguém não gostou e vice-versa. E então, não consegui pensar em mais nada...
Há algum tempo atrás, joguei tudo pro alto e decidi que iria ser cineasta. O que eu mais queria era dirigir um filme: colocar as minhas idéias nele, expor a minha visão de mundo. Acabei desistindo da idéia. Não tinha câmera, nem atores, nem produtores, nem dinheiro, nem nada na verdade. Só o que eu tinha era papel e lápis para escrever um roteiro. Sei que só com um papel, lápis e boas idéias se pode ir muito longe e conseguir tudo o que falta para realizar um projeto. E eu sabia como era a história e como eu queria que tudo fosse feito. Poderia ter começado por aí, conversado com mais pessoas até aprender o que eu tinha de fazer, já que eu não sabia, e não sei, nada sobre como fazer filmes. Foi então que comecei a pensar que a minha idéia não era assim tão boa, que era meia-boca e, até, que era uma idéia ruim. E mais ainda, temi, ou pior, tive certeza de que todos achariam que era uma péssima idéia, que eu não tinha vocação para a coisa, e nunca comentei nada com ninguém. Abandonei o navio bem antes de embarcar. Resolvi que essa não era uma carreira sólida e iria trabalhar em outra área. E fui. Até hoje sinto, não sei se arrependimento ou frustração. Mais ainda, me questiono: como eu sabia que não gostariam da minha idéia se ninguém a viu? O que eu tive, na realidade, foi medo de ouvir: enquanto a suposta negação estava só na minha cabeça, eu me conformava; mas ouvir dos outros dói mais, ainda que eu concorde. E no fim, nunca fiquei sabendo se o que eu tive foi falta de talento ou de coragem.
Ao final, o filme em si, NY, Eu Te Amo, me interessava cada menos. Depois de vê-lo, aconteceu uma dessas epifanias de Clarisse tão profunda, que já nem me importava se era um filme bom ou ruim. Acho que a vida da gente é assim mesmo: pequenos episódios, curtas, que algumas pessoas julgaram bons; outras, ruins. E, ainda por cima, me lembrei do Woody Allen; sempre digo que ele não é um gênio. Só que que milhares de pessoas acham que ele é. Ou seja, não importa o quanto eu diga que ele não é um gênio, ele não o deixa de ser. Ao menos não para esses milhares. E é com isso que eu preciso me acostumar. Algumas pessoas gostam de mim, e outras simplesmente não gostam. Alguns vão gostar das minhas idéias, outros acharão que é lixo e algum outro talvez as compre. Muita gente vai de encontro às minhas opiniões, e isso não é motivo para não tê-las. Nem empecilho para não dizê-las. Acho que a gente deve ser que nem ambrosia: alguns amam, outros odeiam, mas ela está sempre lá, presente na sobremesa de todos os buffets.
Quem sabe ainda não dá tempo de fazer um filme? O meu. Acho que vou parar de me preocupar tanto com o que os outros pensam. Da próxima vez que tiver uma idéia, vou mostrá-la para o maior número de pessoas que conseguir. Se dez não gostarem, vou continuar tentando até achar cem que gostem. E se cem não gostarem...daí eu troco de idéia.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Para não dizer que eu não falei de flores.

Este ano foi mesmo do avesso. Liberdade foi algo que perdeu o significamento. O enclausuramento se tornou um modo de vida. O tempo passou a ser contado em exercícios de matemática e química; a diversão, em resumos de história e geografia. O shopping virou minha casa, e minha casa virou um dormitório. Não vi o Paul cantar. Foi um ano de sacrifícios e abdicações. E a recompensa?, está mais lá adiante. Quem é futuro bixo, sabe do que estou falando.
Meus queridos que me acompanham no Cinepocket, 2010 foi o ano das escolhas. E daquelas drásticas: sem meio-termo. Não pude acompanhar os blogs das minhas queridas amigas que amo tanto! Não pude nem mesmo atualizar o meu próprio. Precisei trocar os filmes e a internet pelos livros. Estudar foi a palavra do ano, e eu não teria suportado uma semana se não fosse com uma little help from my friends. Quanto a isso, não posso reclamar: neste ano, o destino só colocou pessoas boas no meu caminho. Foram poucas, porém verdadeiras. Nada mais justo do que fechar 2010 agradecendo a todos:
aos meus pais e ao meui rmão: a melhor família que o universo poderia me dar. À Jenny e ao pai dela, pessoas de enorme coração!, mais o Elton e a Ferdi, que me apresentaram a gigante São Paulo. Ao Rafa, pelos chimas feitos na redenção (que este ano foram poucos) e pelos e-mails trocados de amizade. À Lupe que trabalhou bem pra me deixar com um sorriso bonito! À Nati e à Stefania: exemplos de obstinação. À minha querida Bruna, que ficou do meu lado (literalmente) 2010 inteiro! Rimos um bocado, não? Ao Marcus, à Mari, à Maitê e à Nati: amigos que gostaria de ter conhecido melhor! Ao Márcio Estrela "que veio do céu", professor e amigo. Ao Alexei que nunca me negou uma explicação entre uma aula e outra. Ao Edir e sua admirável fé nas pessoas. Ao segunrança do shopping que nunca falhou com o seu "bom dia, amiga". Tem também aqueles que, por causa da minha rotina maluca, nem pude ver direito (alguns nem vi), mas que a amizade continuou a mesma: a Sara, minha amiga borboleta; o Charles, meu amigo-irmão que eu morro de saudade; a Carina, minha dinda amada; ao Arthur, que faz anos que não o vejo, talvez por culpa minha, e como me arrependo; a Karol e suas festas de última hora, a Karyne, a Camila e a Thássia, minhas amigas flores que eu sempre guardarei na memória! A TODOS VOCÊS, MUITO OBRIGADA! Obrigada por terem ajudado a passar bem esse ano difícil. E se hoje sou o que sou, devo isso a vocês.
A todos os meus amigos, feliz Ano Novo! Que 2011 se inicie a realização de todos os nossos sonhos! E para os bixos, o nosso ano novo começa só depois do dia 12: vamos brindar com a faixa!!!
E feliz Ano Novo pra você também!

domingo, 8 de agosto de 2010

Você é o que você usa.





Depois de uma semana de trabalho árduo, porém muito compensador, aqui estão elas: minhas filhotas novas! Essas são as novas criações de ecobags feitas com tecido 100% algodão e todinhas pintadas a mão! O valor de cada uma é 20 reais, e o e-mail (ou msn) de contato é o mesmo: vanesselumiere@gmail.com É claro que se você quiser uma estampa em outro modelo ou em outra cor, fique a vontade de montar a sua própria cine-eco.
Pessoal, peço desculpa pelo transtorno em estar fazendo os pedidos por e-mail ou msn; pois a fábrica ainda é baby. A idéia é fazer logo, espero, uma lojinha on-line, onde poderá se comprar direto pelo blog.
Espero que tenham gostado das novas invenções e aceito sugestões para novas estampas. Fiquem à vontade.
P.S. E já tem uma bolsa do Carlitos quentinha saindo do forno...aguardem...


sábado, 24 de julho de 2010

Para quem acredita em milagres. E para quem não acredita também.

Um dos pequenos filmes mais bem comentado de vários festivais de cinema do ano passado, El Baño Del Papa, já inicia com uma frase de advertência: "uma história real, que só poderia ter ocorrido por uma baita falta de sorte". É a maior prova que de bem-intencionados o inferno está cheio; ainda que seja o papa...
O Banheiro do Papa é a tragicomédia, muito mais tragi do que qualquer outra coisa, que nos leva a cidade de Melo, no Uruguai, no ano de 1988, com a chegada de João Paulo II. Beto, a nossa personagem central, é um pequeno contrabandista, que parte todos os dias com sua bicicleta e mais alguns companheiros para cruzar as fronteiras e buscar os pedidos dos "clientes", donos das vendinhas. A vinda do papa à cidadezinha causa um rebuliço em todos, que acreditam que irão receber mais de 40 mil brasileiros. Movidos pela fé e pela necessidade de obter algum lucro da situação, a população prepara-se para receber os supostos visitantes vizinhos; decidem, então, fazer o máximo que podem de comida para vender-lhes. Menos Beto. Ora, se todos esses brasileiros comerem aquele mundo de comida, uma hora terão de pô-la para fora e abrir espaço para mais comida. Bem, esta foi a idéia do Beto: construir um banheiro. Adoro essas pequenas hitórias reais, com um toque de ficção, e com um título inusitado! O Banheiro do papa fala mais do um banheiro: fala sobre um fato na história esquecido, ou talvez que nunca tenha sido lembrado, discutindo (e desafiando) fé, capitalismo, esperança, injustiça social. E o melhor: um fato verdadeiro. Aliás, perdoem-me: o pior; melhor mesmo, seria se a história não fosse real. E nem precisou ir muito longe; aconteceu logo ali, na fronteira.
Além dos atores que fazem o Beto, sua esposa e filha, que são profissionais, ainda existem alguns atores "de mentirinha": pessoas comuns que viveram na época do ocorrido. Mas olha, sinceridade, eu nem percebi...eu vi foi nos créditos (sim, eu sou daquelas pessoas que vêem as entrevistas de crédito dos filmes). Além disso, algumas das cenas, que tentam mostrar o drama das personagens de forma direta e crua, beiram um pouco à tosquice, dando um toque de documentário à filmagem. O que para uns era jutamente o toque simples e perfeito, para outros, pareceu amadorismo mal acabado: uma questão de gosto.
Acredito que não preciso dizer que construir o banheiro não foi algo fácil. Beto praticamente vendeu a alma para conseguir dinheiro e se indispôs com sua família. E ainda no último dia, faltava um mero detalhe: o vaso sanitário. Só que o nosso protagonista, ainda que uruguaio, não desiste nunca e vai buscar o vaso com a sua bicicleta no último minuto. E no caminho de volta, ele precisa deixar sua companheira de duas rodas e voltar a pé...sem problemas! O nosso obstinado amigo, com seu rústico otimismo, passa a carregar o vaso nas costas mesmo. E o papa finalmente aparece. Mulher e filha esperam ansiosas: um olho na transmisão papal e o outro no banheiro inacabado. E eu, quase falando com a TV: "corre, Beto, pelo amor de Deus! Leva logo essa maldita patente!" E sim, ele consegue! Viva! A não ser um pequeno engano: dos 40 mil visitantes esperados, vieram uns significativos zeros a menos, não chegando a mil pessoas. E assim como o papa veio, ele foi embora, decepcionando os que tinham fé e revoltando os que não a tinham. Montanhas de comida, pão, lingüiça, pastel, todos intocados. E, ao lado, pessoas com um sorriso de Mona Lisa, sem saber ao certo se riem ou se choram, endividadas até a próxima vida, sem querer acreditar naquilo que não aconteceu. E o banheiro pronto, é claro. Uma das cenas mais tristes que eu já vi na vida, sem exagero. Tanto, que devo ter ficado uma ou duas horas pensando, deitada, sem conseguir dormir e, ao mesmo tempo, sem saber direito o que pensar, lembrando daqueles olhares desolados.
O Banheiro do Papa pode não ser o filme mais encatador do mundo, o que de fato não o é. Mas vale muitíssimo a pena vê-lo e perder alguns instantes de sono com a pequena cidade de Melo: esquecida por Deus e lembrada, muito infelizmente, pelo Vaticano.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Eu quero uma!

Meus queridos blogueiros, como vocês já sabem, obviamente, sou uma grande fã de cinema. Talvez o que vocês não saibam, é que também apóio todas as iniciativas inteligentes ligadas a preservação da nossa casa, o planeta Terra. Uma dessas iniciativas, bastante emergente, é a idéia da ecobag, que visa a diminuiçao do uso do saco plástico. Eu, particularmente, acho um máximo! Sou super fã das ecobags, e levo sempre uma comigo em qualquer lugar. O único problema das que encontramos por aí, talvez, seja a falta de originalidade das estampas. Como eu acho que tudo que a gente usa diz um pouquinho a respeito de nós mesmos, resolvi criar uma linha de bolsas ecologicamente corretas com muito estilo! Para início, comecei fazendo o que eu gosto como...cinema! A produção ainda está pequena, filhotinha, mas vai crescer com certeza. Além das ecobags tradicionais, feitas com material 100% ecológico, existem as bolsas com 90% de material ecológico e pintadas a mão com muito carinho! Aí vão as fotos das primeiras que eu fiz. Espero que gostem e aprovem! Mais informações sobre modelos e preços é só me add no msn: vanesselumiere@gmail.com ou mandar um e-mail para o mesmo endereço. Entrega para todo o país.
Cuide do mundo você também. E com muito estilo!




segunda-feira, 7 de junho de 2010

E lá se foi a Alice...

e eu não pude ver!... Sim, é verdade, o primeiro filme do ano que eu realmente gostaria de ter ido ao cinema ver, já não está mais em cartaz. Ou melhor, está; porém em suas versões 3D ou dublada. Bem, depois da decepção de Avatar, só vejo outro filme 3D quando o ingresso custar menos de 20 reais e eu puder levar os óculos para casa. Medo de pegar uma conjuntivite... E dublado...caramba! Quem teve a infeliz idéia de passar cópias dubladas para o cinema? Primeiro, o filme é para pessoas acima de 10 anos, que já estão alfabetizadas, logo podem ler as legendas. Segundo: quem não souber ler com essa idade, perdoem-me a crueldade, via de regra, não vai ao cinema. Terceiro: se é para pagar 15 reais, eu quero a voz verdadeira do Johnny Depp! Senão, a coisa toda vira Sessão da Tarde. Agora é sentar e esperar até que saia em DVD...

P.S. Estou confeccionando uma novidade que será postada até o fim da semana. Aguardem!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

E sempre haverá o cinema...

Existem situações ridículas e constrangedoras pelas quais passa um funcionário de uma empresa qualquer, que nós, enquanto consumidores, desconhecemos; no mínimo, ignoramos. Mas para saber mesmo, só estando na pele de um deles...
Há um tempo, eu fui a uma peça de teatro, que tinha por objetivo apresentar sugestões para aperfeiçoar o etendimento nas empresas a partir de situações cotidianas (pelas quais passam um estabelecimento, é claro). Sabe aquela intuição que nos avisa quando não devemos fazer algo? Mas como naquele dia eu não estava com vontade de trabalhar, fui. Se tem coisa pior do que ter a sua inteligência questionada e humilhada, por favor, Senhor, não me deixe nunca descobrir o que é! Nunca ouvi tanta bobagem sendo dita em tão pouco tempo. Nada contra os atores, que estavam apenas cumprindo o seu papel. Nada contra, também, os vivaldinos que tiveram a brilhante idéia de bolar tal "espetáculo", já que é um ótimo pão e circo desse modo de produção desgastado. E tudo contra a quem teve a audácia de achar qualquer ato engraçado e, pior ainda, proveitoso de alguma forma. E a coisa toda ainda tinha história: uma empresa falida reconquistando seus funcionários. Com a ajuda de um spray mágico, era oferecido o melhor produto e o menor preço. Ironia: a peça começou com 10min de atraso. E ainda se acham no direito de dizer como melhorar um atendimento. Mas tudo bem. Pior do quem humilhar a inteligência de alguém é esse alguém acatar a humilhação. Rindo. Ainda se as piadas fossem engraçadas...era um humor tão tosco, que só faltou o assistente de palco erguer a plaquinha "piada" cada vez que alguém, supostamente, fizesse uma. Ora, eu atendo na recepção. Não posso supervalorizar o meu produto, senão seria propaganda enganosa. Também não depende só de mim melhorá-lo e, muito menos, reajustar os preços. Então o que eu estava fazendo lá? Simples: o meu chefe, para descarregar um pouco da culpa, me manda ir lá para eu pensar que a culpa é inteiramente minha e aliviar a culpa de cima dele; logo, há uma transferência de culpas. E um baita peso na consciência! Não sei como ele dorme a noite. Mas aposto que bem melhor do que eu!
Bom, gente...mas não era bem isso o que eu queria falar. E também não era algo totalmente fora do contexto, porém acabei me excedendo. E descarregando um pouco da raiva. Mas deu, já passou! O que queria mesmo dizer é que no início do teatro, eles passaram um curta do André Rolim, "O Troco". Ainda não conhecia e achei genial! A maior prova de que pode se fazer milagre com uma produção de baixo orçamento. Basta ter uma idéia e a vontade para executá-la. O Troco fala sobre uma situação comum que a gente adora: ser atendido por um robô do telemarketing! Segue o link para assistir ao vídeo, que vale muito a pena.
o troco
Em meio a toda a minha revolta e frustração, só mesmo o cinema para me trazer um pouco de alegria.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Voltei!

Ahá! Para os injustos que andam falando que eu abandonei os princípios "cinemáticos" deste blog, que eu agora só quero saber de viajar, de gozar a vida, contar vantagens...bem, querer eu bem que queria... Anyway, o que estava tentando dizer, é que em meados de março precisei eleger algumas prioridades e, mais do que infelizmente, acabei me afastando do blog (de novo). E quando voltei aqui para atualizar a casa, me dei conta de que os últimos textos eram sobre a minha viagem, para não dizer quase toda a página. Tudo porque a pessoa aqui não consegue conter as emoções e leva dois meses para narrar 5 dias. Passada a euforia da minha aventura vamos de volta ao trabalho!
O fato de eu não ter postado nada recentemete no blog, não implica que eu não tenha escrito absolutamente nada referente a cinema. Isto porque uma das minha redações que precisei escrever neste início de abril era justamente sobre o que? Cinema. E brasileiro ainda por cima. A tarefa consistia em escolher um ou mais personagens do cinema brasileiro e fazer uma análise da nossa sociedade. Coisa bem chata que é tema de redação! Poxa, se é chata! Certamente os caras que sugerem os temas para as redações não têm vida. Nem amigos. Só que esse não era o momento de fazer revoluções contra os corretores de redações; ou escrevia ou não escrevia. Escrevi. E confesso que senti um prazer contido em desenvolver esse tema em particular, pois, além de ser sobre algo que eu gosto (e arrisco dizer que entendo um pouco), fazia tempo que eu não refletia nada sobre o assunto e muito menos escrevia. Acho que o cinema sentiu saudade de mim, tanto quanto eu dele, que acabou arranjando um jeitinho de me encontrar e de me chamar de volta. Bem, provavelmente foi só coincidência mesmo. Mas é que essa frase ficou tão poética na minha cabeça...
Outra coisa que me deixou pensativa a respeito do tema foi a exigência de um personagem do cinema nacional. Pessoas, sejam sinceras: a quantos filmes nacionais vocês assistiram no último ano? Pois é. Cinema americano, ou europeu, conseguimos ver uns 10, um pouco menos, filmes por mês. Já filme brasileiro, a gente vê uns 10 por vida! Eu mesma vi poucos. E confesso mais: não sou grande fã do nosso cinema. E quando eu falo em cinema, falo da indústria que comercializa os filmes; existem muitos talentos que acabam não sendo aproveitados. Não posso negar que o cinema brasileiro evoluiu muito em termos de produção e de tecnologia nos últimos anos, mas ainda falta um pouco para termos uma boa produção de conteúdo em grande quantidade. E cabeça boa não falta! É incrível o que pessoas com criatividade podem fazer com pouca verba. O documentário "Nós que aqui estamos, por vós esperamos", citado em algum post anterior, é um exemplo perfeito. Eu torço e faço campanha para que um dia esses talentos tilintem na boca do povo. Só é preciso uma câmera na mão, uma idéia na cabeça e um pouquinho de divulgação. E uma boa vontade de quem assiste, é claro.
Mas voltando a redação, antes que eu monte uma tribuna e comece a discursar em prol dos cineastas brasileiros, acabei escolhendo as personagens Jão Grilo, de o Auto da Compadecida (que todo mundo viu no colégio), e André, de O Homem Que Copiava (já falei por aqui que o Jorge é o meu queridinho, né?). Admito que o reflexão ficou um pouco trivial; contudo o corretor pareceu ter gostado, pois me deu uma boa nota pelo desenvolvimento. Em comemoração ao bom resultado, e a minha re-volta ao blog, estou publicando o texto aqui. Espero que gostem!

Ao contrário do cinema americano, que apresenta figuras heróicas e imaginárias, a sétima arte brasileira é rica em personagens que se assemelham à nossa realidade. Exemplos claros disso são João Grilo e André, de O Auto da Compadecida e de O Homem que copiava, respectivamente. Ambos representam a vontade de mudar vida e a esperteza presentes em um brasileiro.
João Grilo é um nordestino que vive na miséria de um árido sertão; porém sabe muito bem como driblar os percalços da vida. Oportunista, João tira vantagem de qualquer situação em nome do benefício próprio, mesmo que, para isso, precise lançar mão de pequenas mentiras e logros, burlando algumas questões morais. A sagacidade é seu maior instrumento, que ilustrao famoso jeitinho brasileiro.
Um pouco mais próximo de nós, gaúchos, está André, um jovem imaginativo operador de uma fotocopiadora, que não ganha mais do que um salário mínimo. Na tentativa de obter dinheiro para melhorar seu padrõ de vida, André caminha entre o certo e o errado. Em um primeiro momento, passa a falsificar cédulas, mas logo se arrepende. No entanto, como João Grilo, ou qualquer outro brasileiro, ele persevera na luta para escapar da pobreza e para ser feliz. Ele é o brasileiro que não desiste nunca.
Apesar de viverem em cenários contrastantes, o protagonista sertanejo e o porto-alegrense tem muito em comum. Ambos possuem o desejo incondicional que o brasileiro tem de melhorar sua vida e utilizam a astúcia para alcançar tal objetivo. Não desistem e até violam alguns bons costumes. Qualquer semelhança com as personagens do nosso cotidiano mão é mera coincidência.

Ufa! Espero, assim, ser bem-vinda de volta ao blog!

domingo, 14 de março de 2010

Ao fim de quatro dias.

Buenas, pessoal...juro que é o último post sobre a minha viagem. Enquanto escrevia esse último texto, pensei que seria melhor criar um outro blog com relatos extracurrículares, ou seja, tudo aquilo que não se originou de alguma experiência cinematográfica. Só que eu mal tenho tempo de cuidar de um blog, o que dirá de dois. Talvez um dia eu realmente faça outro só com as minhas abobrices e afins, e mantenha este daqui com o seu conceito original. Mas até lá, vai ficar tudo "xunto e rreunido" mesmo. Vocês entendem, né?
No meu último dia pela cida de São Paulo, meu corpo sentia duas sensações muito distintas. Uma de felicidade por ter conhecido muita gente bacana, por logo poder rever mnha família, por estar ali enfim. E outra de tristeza, de despedida. Estava com saudade de casa, mas não tanto a ponto de já querer ir embora. Neste dia, pensei que pudesse chorar em algum momento. Mas não chorei.
Era terça-feira, e a entrada do MASP era "de grátis". Lindo o museu, adorei. Mas o fato do museu ser bonito não implica que as obras expostas também sejam...ao menos não todas. Como por exemplo do quadro intitulado O Retratato de Suzanne Bloch, de Picasso. Lembra? Aquele quadro que foi roubado e escondido na favela? Que os pobres ignorantes não pagavam um pila pela "obra"? Pois é...eu também não pagaria! Gente, o quadro é realmente muito feio! Tanto, que chega a provocar graça. E bem no momento em que ria do retrato da Suzanne, dei de cara com um ex-professor de literatura do colégio. Para quem não sabe, o meu ex-professor de literatura é a personificação do demônio. Ele não olha para o chão e tem o umbigo maior ele mesmo. Humildade, ali, passou longe. Em uma cidade tão grande, com tantas milhares de pessoas, eu não encontrei nenhum conhecido que mora lá. Mas fui encontrar essa praga, que podia muito bem encontrar por aqui. Coincidências. Vá entendê-las...
Saímos do MASP e fomos para o centro subir no prédio do Banespa, que é um mini Empire State Building. É nesse momento que a gente percebe o tamanho de SP. Por qualquer direção em que se olha, prédios. Não existe fim. Pelo menos, eu não enxerguei. E não tem muito o que dizer sobre a vista do terraço, a não ser um silencioso uau.
Depois de passar pelo Viaduto do Chá, pela prefeitura, pelo teatro municipal, pela galeria do rock e de tomar uma limonada suíça, resolvemos voltar à Paulista para comprar alguns presentes na Sampa in Stampa (momento merchan) e para dar um último tchau. O céu já estava preto, o cheiro de chuva pairava no ar. E ao descer do metrô, aquela tromba d'água! Comprei uma capa de chuva para ir do metrô até o shopping. Não sei qual o nome do shopping porque, para mim, eles eram todos iguais. Mas tudo bem, porque eu estava mesmo era louca de faceira com a minha capa nova!, que surpreendentemente, funciona bem até. Comi um sanduíche no Subway, comprei meus presentinhos (curtindo últimos momentos de Sampa) e me fui embora para a casa da Ferdi comer pizza e ver um filme (curtindo últimos momentos em São Bernardo). Fiz a mala, dormi, acordei, tomei banho, comi e me despedi do pai da Jenny, do qual eu não mencionei até agora. Pessoa essa muito simples, que soube criar bem essa menina, que me recebeu de braços abertos, mesmo eu sendo estranha, e que tem um coração enorme. Serei sempre muito grata a tudo.
Enfim, pegamos e ônibus. Mas não mais para ir para Sampa, e sim, para Guarulhos. Ou melhor, fomos até Sampa pegar o metrô, e aí outro e mais outro, então pegamos ou ônibus para ir para Guarulhos...saudade do Elton para carregar minha mala! Fui me despedindo do mate gelado, do Ibirapuera, das feiras de domingo, do açaí na tigela... Estava me sentindo num flashback gigante. Ao chegar no gigaeroporto de Gaurulhos, momento desespero: o ônibus não entrava nunca no maldito aeroporto! Não chegava nunca à entrada. E depois, não chegava nunca ao guichê da Ocean... Mas já com tudo resolvido, passagem de volta na mão, à entrada do portão de embarque, hora da despedida final. E junto ao abraço, veio uma lágrima. E depois outra. E mais outra. E outra. Até chegar a um ponto que eu já não conseguia mais falar. Mas acho que o choro acabou falando por mim. Foi algo espontâneo, de tristeza, de emoção, de alegria, de saudade, de agradecimento, de tudo um pouco. E não conseguia parar! Acho que o cara que passa a mala no raio-x ficou até com uma peninha de mim; estava quase me oferecendo um lenço.
E para voltar, o esquema inverso: pegar um ônibus para ir até o avião, etc, etc... E a viagem de volta não foi assim tão tranqüila, pois cada vez que o avião entrava numa nuvem, ele se saudia todo e parecia que estava caindo. Eu realmente estava começando a odiar as nuvens depois desses 5 dias! E para piorar, estava com cara de choro. Mas então eu olhava para as comissárias: se elas etavam bem, então eu também estava.
Já na terra firme do Salgado Filho, matei a saudade da família! E parecia que minha alma tinha ficado perdia nos metrôs de SP. Ou era apenas uma alucinação devido ao calor. Para quem não sabe, eu cheguei naquela quarta-feira maldita, em que Porto Alegre virou notícia no mundo todo por ser o lugar mais insuportável de se estar. Com tantos outros bons motivos para ser notícia...
Engraçado a maneira como as coisas acontecem: tentei viajar inúmeras vezes e nunca dava certo. Até que um dia deu. No dia em que a Jenny ficou sabendo que iria viajar em um mês para a Holanda, onde vai trabalhar como au pair durante um ano. O que foi uma apresentação para mim, acabou sendo uma despedida para ela. A vida apronta cada uma, e a gente, que é burrão, nunca entende o porquê. Só sei, é que foram 4 dias muito felizes! E encontrar uma pessoa como esta, no meio de tantas outras imprestáveis que nos tomam tempo, mesmo que só uma, faz a gente retomar a esperança que se tem na humanidade inteira. Além de ser um privilégio.


MASP




Oh a Catedral da Sé ali!


Duas pessoas maravilhosas! Amei conhecer vocês! Ah, minha regata verde...e a sapatilha vermelha, é claro!


Conselho para viagens longas: não sentem na turbina.

P.S. prometo que o próximo post vai ser de cinema. É que às vezes a vida da gente parece ser tão mais emocionante...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Como será que Einstein fugiria da chuva?

Depois de um domingo cheio de atividades bacanas, a segunda foi um dia bem curto. Na verdade foi um dia com uma duração normal, de 24h, como todos os outros na vida da gente. Acho que é essa coisa de teoria da relatividade do Einstein, sabe? Assim como a sinaleira que tem o maior tempo com o sinal fechado é aquela em que você está parado, 3min ouvindo axé parecem 5 anos, alguns dias parecem mais longos que outros. Foi um dia curto, mas não menos divertido. Almoçamos em casa e fomos a Sampa ver um filme no cinema. Mas enquanto esperávamos o horário da sessão, nós fomos a uma "banca-lanchonete" que fica bem pertinho da Paulista. Um lugar muito legal mesmo, parece um mezanino, onde se vende frutas e tudo (ou quase tudo) o que se pode fazer com elas. Comi um açaí na tigela com morango e granola. Foi o primeiro açaí que eu gostei de fato: barato, bem grande e bem bom! Adoro coisas assim! Sem falar que adorei o lugar. Amo esses refúgios tranqüilos próximos a ruas movimentadas. Paz e serenidade, porém sem fugir da civilização.
Depois desse sorvete saudável, fomos nos encontrar com a amiga da Jenny, a Ferdi, e o Ricardo. Ao menos eu acho que era assim o nome dele... Juro que não é nada pessoal! Eu apenas tenho problemas com nomes. Então, para não errar, vou chamá-lo de namorado da Ferdi. Íamos ao cine Bom Bril. Sim, aquela esponja de aço. Vimos Onde Vivem os Monstros. Não vou dizer que não gostei, só não vou dizer que gostei.
Sugestão às pessoas que fazem os programas para os caixas eletrôncos do Itaú: se o caixa não tem dinheiro, deveria aparecer a mensagem este caixa não possui saldo, em vez de sua conta não possui saldo! Caramba, isso pode matar alguém do coração ainda... Graças a Deus em SP se chuta uma árvore e caem 10 Itaús na cabeça do vivente. Só atravessei a rua, fui a outro caixa, e problema resolvido. Mas, que puxa, que susto!
Quando saímos do cine, fomos ao bairro Liberdade, dos japoneses. Poderíamos chegar em alguns minutos de metrô, mas a idéia era eu conhecer um pouco da cidade, então fomos de ônibus. O céu estava preto de nuvens. Tive sorte no primeiro dia, no segundo também. Mas no terceiro não teve jeito: veio aquela tromba d'água! Estávamos dentro do ônibus quando começou a chuva. E eu sempre com o meu pensamento otimista, imaginando que a chuva iria parar quando chegássemos na nossa parada. Só que a água começou a entrar no ônibus. Já tinha uma poça sob os nossos pés. Momento socorro, quero sair desse ônibus. O jeito era se entreter com o notíciário que estava passando na televisão do ônibus. Vocês sabiam que o formato de corpo mais saúdavel para homens e mulheres são o de maça e o de pêra respectivamente? Pois é. Andando de ônibus, pisoteando na água e aprendendo. Já chegávamos no Liberdade, e a chuva continuava firme e fore. É. Não tinha jeito. Ou melhor, só tinha um jeito: se molhar. Saltamos da parada e fomos correndo para uma marquise. Mas chovia tão forte, que ficar embaixo da marquise, usar um guarda-chuva ou caminhar normalmente na rua não fazia diferença. Contudo, para um efeito psicológico mais agradável, resolvemos sair correndo, parando de marquise em marquise, até chegar na rua principal do bairro. E de novo a teoria da relatividade se encaixa. Correr na chuva gritando e dando risada com amigos por meia hora parece 5min. Além de ser muito mais divertido!
E a imagem que eu fazia do bairro Liberdade só existia na minha cabeça mesmo. Achei um pouco sujinho, cheio de sacos de lixo espalhados e um cheiro meio desagradável. Mas tudo bem. A idéia era achar um restaurante e jantar. Entramos em um, que eu já não lembro o nome, um mais molhado que o outro. Minha amiga pediu uma yakisoba, e eu um nugui udon, ugi udon, nagui udon...ah, não lembro nem o nome de pessoas, o que dirá de pratos japoneses. A Ferdi e o (suposto)Ricardo não pediram nada. Odeio quando fazem isso; me sinto tão gorda...
Sugestão às pessoas que descrevem as comidas nos cardápios japoneses: se o prato leva carne, por favor escreva! Os vegetarianos merecem saber. Que puxa...eu li queijo de soja, ovo e nada de carne. E me vem uma sopa com um bife boiando! Quando comentei com a garçonete, ela pediu desculpa e se ofereceu para retirar a carne. Eu aceitei a gentileza. Momento tomara que ela não cuspa na minha sopa.
Já sem a carne, o meu sei lá eu o que udon estava muito gostoso! Era uma espécie de sopa com uma massa bem grossinha (tipo lombriga), com cebolinha, ovo, tofu e algumas saladas. Bem bom mesmo! Pena a Jenny não poder ter dito o mesmo do yakisoba. Além da briga para comer com palitinhos, o molho não estava muito bom. Uma informação importante: aji-no-moto apenas ralça o sabor dos alimentos. Não os deixa melhor. Então, se o yakisoba já estava ruim, entupir de aji-no-moto só fez piorar o gosto. Mas valeu a pena pelas risadas que demos!
Já era noite, fomos para casa. Chegamos tarde. Estávamos mais que cansadas. Falei com minha família por telefone para matar um pouquinho a saudade, relatei minha super aventura, tomei banho e fui me deitar. E aprendi que correr da chuva é algo muito relativo: você pode apenas fugir e se proteger dela, ou, então, se divertir como nunca enquanto toma o melhor banho da sua vida.




Adoro essa foto! Eu e meu frapuccino no Starbucks. Acho que foi a cidade que me deixou mais bonita.